O que são riscos psicossociais?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os riscos psicossociais correspondem a fatores presentes na forma como o trabalho é organizado, gerido e vivido no cotidiano das organizações. Esses fatores podem afetar diretamente o bem-estar psicológico, emocional e social dos trabalhadores e, em muitos casos, também repercutir sobre a sua saúde física. Quando não são adequadamente prevenidos ou manejados, os riscos psicossociais aumentam a probabilidade de sofrimento mental, adoecimento, queda no desempenho, absenteísmo e prejuízos à qualidade de vida no trabalho.

De maneira mais concreta, esses riscos costumam surgir em contextos nos quais há exigências excessivas ou contraditórias, pouca autonomia para decidir como realizar as tarefas, falta de apoio de colegas e gestores, conflitos interpessoais frequentes e modelos de organização do trabalho pouco claros ou desestruturados. A combinação desses elementos gera um estado de tensão contínua, que, mantido ao longo do tempo, pode comprometer seriamente a saúde mental dos trabalhadores.

É importante ressaltar que os riscos psicossociais não se explicam por características individuais, como “fragilidade emocional” ou “baixa resiliência”. Trata-se, fundamentalmente, de riscos produzidos pelas próprias condições e relações de trabalho. Nesse sentido, o foco da prevenção não deve recair sobre o indivíduo isoladamente, mas sobre a forma como o trabalho é organizado, distribuído e gerido, conforme orienta a OMS.

Dentro dessa perspectiva, o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) consiste em um conjunto de ações planejadas e contínuas que as organizações devem desenvolver para identificar, avaliar e controlar todos os riscos capazes de afetar a saúde e a segurança dos trabalhadores. Esse gerenciamento inclui os riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos, mas também, de forma indispensável, os riscos psicossociais. Reconhecer e tratar esses riscos significa compreender que a saúde mental é parte integrante da saúde do trabalhador e que ambientes de trabalho saudáveis dependem de condições organizacionais justas, claras e sustentáveis.

Referências bibliográficas: World Health Organization. Psycho-social Risks and Mental Health. WHO Occupational Hazards web tool. Disponível em: https://www.who.int/tools/occupational-hazards-in-health-sector/psycho-social-risks-mental-health (acessado em 31 dez. 2025).

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Paula Akpan et al.

A promulgação da Lei Áurea, em 1888, marcou juridicamente o fim da escravidão no Brasil, encerrando um regime que estruturou por mais de três séculos as relações econômicas, sociais e raciais do país. Contudo, a abolição ocorreu de forma tardia, incompleta e sem a implementação de políticas públicas que garantissem a integração social, econômica e política da população negra recém-liberta. Ao contrário, o Estado brasileiro optou por uma transição conservadora, preservando os interesses das elites agrárias e mantendo intactas as estruturas de desigualdade racial herdadas do período escravocrata. Dessa forma, a população negra ingressou no período republicano, inaugurado em 1889, em condições profundamente precárias, marcada pela exclusão do acesso à terra, ao trabalho digno, à educação e à cidadania plena, sendo empurrada para a marginalização social e para a informalidade urbana. Esse processo consolidou padrões de desigualdade racial que se perpetuaram ao longo do século XX, evidenciando que a abolição legal não significou a superação das hierarquias raciais, mas a sua reconfiguração em novas bases.

Referências bibliográficas: AKPAN, Paula et al. O livro da história negra. Tradução de Maria Anunciação Rodrigues. São Paulo: Globo livros, 2016.

Paige Sweet

Para a socióloga norte-americana Paige L. Sweet (2019), gaslighting é uma forma de manipulação psicológica que uma pessoa faz a outra duvidar da própria percepção, memória ou sanidade. O objetivo é confundir, desestabilizar e ganhar controle sobre a vítima, muitas vezes de modo sutil e progressivo. O agressor contradiz fatos óbvios. Com isso, a vítima passa a duvidar da própria interpretação. Ou ainda, as emoções da pessoa são tratadas como inválidas, criando nela insegurança emocional. O manipulador também mistura verdade e mentira, muda a versão, faz comentários ambíguos, e a vítima fica sem saber o que é real ou não. Aos poucos, a pessoa passa a estranhar as próprias lembranças, hesita antes de expressar o que sente e começa a internalizar a ideia de que o outro sabe mais sobre sua própria realidade do que ela mesma. Do ponto de vista sociológico, Sweet explica que o gaslighting é também um fenômeno relacional, moldado por dinâmicas de poder. Tende a ocorrer em contextos onde o agressor detém mais autoridade simbólica, emocional, econômica ou social, em relações afetivas, familiares ou profissionais.

Referências bibliográficas: SWEET, Paige L. The Sociology of Gaslighting. American Sociological Review, v. 84, n. 5, p. 851-875, 2019.

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