Para Georg Simmel, o processo de urbanização produziu transformações profundas nas formas de interação social características das sociedades modernas. Diferentemente do meio rural, marcado por relações pessoais estáveis, proximidade afetiva e reconhecimento mútuo, a vida urbana passou a ser organizada a partir do contato constante com desconhecidos, exigindo dos indivíduos novas formas de adaptação psíquica e social. Esse ambiente, marcado pela intensidade dos estímulos e pela multiplicidade de encontros efêmeros, colocou os sujeitos diante de uma experiência para a qual não estavam historicamente preparados (Simmel, 2005).
Como resposta a esse excesso de estímulos e à presença permanente do estranho, desenvolveu-se aquilo que Simmel denomina atitude blasé, uma forma de defesa psicológica baseada na racionalização e na indiferença. Essa postura não indica ausência de sensibilidade, mas um mecanismo de autoproteção que permite ao indivíduo preservar sua integridade psíquica diante da sobrecarga da vida metropolitana. Ao substituir reações emocionais intensas por uma postura distanciada e calculista, os sujeitos urbanos constroem uma barreira racional que redefine a consciência moderna e reorganiza as formas de sociabilidade, tornando-as mais impessoais e distantes (Simmel, 2005, p. 68).
Para saber mais:
SIMMEL, Georg. As grandes cidades e a vida do espírito. In: SIMMEL, Georg. Sociologia. São Paulo: Martins Fontes, 2005.