Como pensava Vigotski?

Lev Vigotski pensava o desenvolvimento humano como um processo histórico, social e cultural, no qual a mente se forma nas relações com os outros e com o mundo simbólico. Para ele, o ser humano não nasce com funções psicológicas superiores prontas; elas se constroem ao longo da vida, mediadas pela cultura e pela linguagem.

No centro de seu pensamento está a ideia de mediação: o indivíduo não se relaciona diretamente com a realidade, mas por meio de instrumentos (como ferramentas) e signos, sendo a linguagem o mais importante deles. Ao interagir com adultos e pares mais experientes, a criança internaliza formas sociais de pensar, que se transformam em processos psicológicos internos (Vigotski, 1934/2001).

Outro conceito fundamental é a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), definida como a distância entre aquilo que a criança consegue fazer sozinha e o que consegue realizar com a ajuda de alguém mais experiente. Isso significa que a aprendizagem precede e impulsiona o desenvolvimento, e não o contrário, como defendiam teorias maturacionistas (Vigotski, 1934/2001).

Vigotski também compreendia o pensamento e a linguagem como processos interdependentes. Inicialmente, eles seguem trajetórias distintas, mas, ao longo do desenvolvimento, se articulam, dando origem ao pensamento verbal, essencial para a formação da consciência, da autorregulação e da reflexão (Vigotski, 1934/2001).

Em síntese, Vigotski pensava o ser humano como um sujeito ativo, socialmente constituído, cuja mente se forma no encontro entre biologia, cultura, história e relações sociais, fazendo da educação e da interação humana elementos centrais do desenvolvimento psicológico.

Referências
VIGOTSKI, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
VIGOTSKI, L. S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

De onde vem o petróleo?

O petróleo é uma mistura natural de hidrocarbonetos formada no interior da Terra ao longo de milhões de anos, a partir da transformação de matéria orgânica, sobretudo de algas e micro-organismos marinhos, soterrados em ambientes pobres em oxigênio (Tissot & Welte, 1984). Sob o efeito do tempo, da pressão e do calor, essa matéria orgânica sofreu profundas transformações químicas, originando um líquido escuro e viscoso que se acumulou em rochas porosas do subsolo.

Mais do que um simples combustível, o petróleo é uma fonte estratégica de energia e de matérias-primas. A partir dele produzem-se gasolina, diesel, querosene, plásticos, fertilizantes, medicamentos e inúmeros produtos presentes no cotidiano. Por ter uma formação extremamente lenta, o petróleo é considerado um recurso não renovável em escala humana, o que explica sua importância econômica, política e ambiental (Speight, 2014).

Assim, o petróleo é, ao mesmo tempo, um registro geológico da vida antiga, uma base energética da sociedade industrial e um elemento central dos debates contemporâneos sobre desenvolvimento, sustentabilidade e transição energética.

Referências bibliográficas
TISSOT, B. P.; WELTE, D. H. Petroleum Formation and Occurrence. 2. ed. Berlin: Springer, 1984.
HUNT, J. M. Petroleum Geochemistry and Geology. W. H. Freeman, 1996.
SPEIGHT, J. G. The Chemistry and Technology of Petroleum. CRC Press, 2014.

Como o cérebro lida com tanta informação?

Broadbent foi um dos pioneiros ao demonstrar que o cérebro humano é constantemente bombardeado por uma imensa quantidade de estímulos sensoriais, como sons, imagens, odores, sensações corporais e informações do ambiente. Como o sistema cognitivo possui capacidade limitada de processamento, torna-se impossível lidar conscientemente com tudo ao mesmo tempo. Para lidar com essa sobrecarga, o cérebro recorre a mecanismos de seleção atencional, que funcionam como um filtro: alguns estímulos são priorizados e ganham acesso ao processamento consciente, enquanto outros são inibidos ou descartados (Broadbent, 1958).

Esse processo de seleção é fundamental para a memória. Conforme explica Kandel (2009), a memória não registra tudo o que vivenciamos, mas apenas aquilo que adquire significado, utilidade prática ou valor emocional. Informações que não são revisitadas, repetidas ou associadas a emoções relevantes tendem a não ser consolidadas nos circuitos neurais. Em vez disso, enfraquecem progressivamente até desaparecerem. Assim, lembrar não é um ato passivo de armazenamento, mas um processo ativo, seletivo e dependente tanto da atenção quanto do envolvimento emocional e cognitivo com o conteúdo.

Referências bibliográficas:
BROADBENT, D. E. Perception and Communication. London: Pergamon Press, 1958.
KANDEL, Eric R. Em busca da memória: o nascimento de uma nova ciência da mente. Tradução de Carlos Afonso Malferrari. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

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Gangestad e Thornhill

Durante o período ovulatório, alterações hormonais significativas, especialmente o aumento dos níveis de estrogênio e testosterona, exercem influência direta sobre circuitos neurobiológicos associados à dopamina, neurotransmissor central nos sistemas de recompensa, motivação e desejo sexual. Essa modulação neuroendócrina tende a intensificar a frequência de pensamentos eróticos, o interesse pelo contato íntimo e a busca por vínculos afetivos e sexuais. Trata-se de um fenômeno complexo, que não pode ser compreendido apenas em termos biológicos, mas que envolve a articulação entre dimensões fisiológicas, psicológicas e socioculturais. Sob a perspectiva da psicologia evolucionista, Gangestad e Thornhill (2008) argumentam que comportamentos capazes de aumentar a probabilidade de reprodução, e, consequentemente, de transmissão genética, tendem a ser favorecidos ao longo do processo de seleção natural. Nesse sentido, a elevação da motivação sexual durante a ovulação pode ser compreendida como um mecanismo adaptativo, historicamente moldado para maximizar o sucesso reprodutivo. Tal interpretação, contudo, não implica determinismo biológico, uma vez que a expressão do desejo e da sexualidade é sempre mediada pela história subjetiva, pelas normas culturais e pelas condições sociais nas quais o sujeito está inserido.

Referências bibliográficas: GANGESTAD, Steven W.; THORNHILL, Randy. The Evolutionary Biology of Human Female Sexuality. Oxford: Oxford University Press, 2008.

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