Como pensa Greg Grandin?

Greg Grandin é um historiador e intelectual norte-americano, reconhecido internacionalmente por seus estudos sobre a história da América Latina, o imperialismo dos Estados Unidos e a política externa norte-americana, especialmente a partir do século XX.

Segundo Grandin, Hugo Chávez não representava apenas um problema econômico, mas um problema simbólico e ideológico. A Venezuela passou a criticar abertamente o imperialismo norte-americano, questionar o discurso liberal de “democracia de mercado” e inspirar outros governos latino-americanos (Bolívia, Equador, Nicarágua). Para os EUA, isso significava o risco de efeito dominó, isto é, a disseminação de projetos políticos alternativos à ordem liderada por Washington (Grandin, 2006).

Grandin destaca que o controle estatal sobre recursos estratégicos sempre foi um ponto sensível na relação dos EUA com a América Latina. No caso venezuelano, a política de: fortalecimento da PDVSA como empresa estatal, uso do petróleo como instrumento de política social e externa, redução da influência de empresas norte-americanas e foi interpretada por Washington como uma ameaça direta aos interesses econômicos e energéticos dos EUA.

Para ele, os Estados Unidos têm rusgas diplomáticas com a Venezuela porque o país afirma soberania política e econômica, controla recursos estratégicos como o petróleo, questiona a hegemonia norte-americana na região e oferece um modelo político alternativo com potencial de influência regional. Para Grandin, o conflito é menos sobre “democracia” e mais sobre poder, controle e limites do imperialismo contemporâneo.

Um ponto central do argumento de Grandin é que as rusgas com a Venezuela não são uma anomalia, mas uma continuidade histórica da política externa dos EUA na América Latina, marcada por intervenções diretas e indiretas, apoio a golpes ou tentativas de desestabilização, pressão econômica e diplomática. A Venezuela, portanto, entra na mesma lógica aplicada anteriormente a países como Guatemala, Chile, Nicarágua e Cuba.

Referências bibliográficas:
GRANDIN, Greg. Empire’s Workshop: Latin America, the United States, and the Rise of the New Imperialism. New York: Metropolitan Books, 2006.

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De onde vem o petróleo?

O petróleo é uma mistura natural de hidrocarbonetos formada no interior da Terra ao longo de milhões de anos, a partir da transformação de matéria orgânica, sobretudo de algas e micro-organismos marinhos, soterrados em ambientes pobres em oxigênio (Tissot & Welte, 1984). Sob o efeito do tempo, da pressão e do calor, essa matéria orgânica sofreu profundas transformações químicas, originando um líquido escuro e viscoso que se acumulou em rochas porosas do subsolo.

Mais do que um simples combustível, o petróleo é uma fonte estratégica de energia e de matérias-primas. A partir dele produzem-se gasolina, diesel, querosene, plásticos, fertilizantes, medicamentos e inúmeros produtos presentes no cotidiano. Por ter uma formação extremamente lenta, o petróleo é considerado um recurso não renovável em escala humana, o que explica sua importância econômica, política e ambiental (Speight, 2014).

Assim, o petróleo é, ao mesmo tempo, um registro geológico da vida antiga, uma base energética da sociedade industrial e um elemento central dos debates contemporâneos sobre desenvolvimento, sustentabilidade e transição energética.

Referências bibliográficas
TISSOT, B. P.; WELTE, D. H. Petroleum Formation and Occurrence. 2. ed. Berlin: Springer, 1984.
HUNT, J. M. Petroleum Geochemistry and Geology. W. H. Freeman, 1996.
SPEIGHT, J. G. The Chemistry and Technology of Petroleum. CRC Press, 2014.