Gangestad e Thornhill

Durante o período ovulatório, alterações hormonais significativas, especialmente o aumento dos níveis de estrogênio e testosterona, exercem influência direta sobre circuitos neurobiológicos associados à dopamina, neurotransmissor central nos sistemas de recompensa, motivação e desejo sexual. Essa modulação neuroendócrina tende a intensificar a frequência de pensamentos eróticos, o interesse pelo contato íntimo e a busca por vínculos afetivos e sexuais. Trata-se de um fenômeno complexo, que não pode ser compreendido apenas em termos biológicos, mas que envolve a articulação entre dimensões fisiológicas, psicológicas e socioculturais. Sob a perspectiva da psicologia evolucionista, Gangestad e Thornhill (2008) argumentam que comportamentos capazes de aumentar a probabilidade de reprodução, e, consequentemente, de transmissão genética, tendem a ser favorecidos ao longo do processo de seleção natural. Nesse sentido, a elevação da motivação sexual durante a ovulação pode ser compreendida como um mecanismo adaptativo, historicamente moldado para maximizar o sucesso reprodutivo. Tal interpretação, contudo, não implica determinismo biológico, uma vez que a expressão do desejo e da sexualidade é sempre mediada pela história subjetiva, pelas normas culturais e pelas condições sociais nas quais o sujeito está inserido.

Referências bibliográficas: GANGESTAD, Steven W.; THORNHILL, Randy. The Evolutionary Biology of Human Female Sexuality. Oxford: Oxford University Press, 2008.

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