Broadbent foi um dos pioneiros ao demonstrar que o cérebro humano é constantemente bombardeado por uma imensa quantidade de estímulos sensoriais, como sons, imagens, odores, sensações corporais e informações do ambiente. Como o sistema cognitivo possui capacidade limitada de processamento, torna-se impossível lidar conscientemente com tudo ao mesmo tempo. Para lidar com essa sobrecarga, o cérebro recorre a mecanismos de seleção atencional, que funcionam como um filtro: alguns estímulos são priorizados e ganham acesso ao processamento consciente, enquanto outros são inibidos ou descartados (Broadbent, 1958).
Esse processo de seleção é fundamental para a memória. Conforme explica Kandel (2009), a memória não registra tudo o que vivenciamos, mas apenas aquilo que adquire significado, utilidade prática ou valor emocional. Informações que não são revisitadas, repetidas ou associadas a emoções relevantes tendem a não ser consolidadas nos circuitos neurais. Em vez disso, enfraquecem progressivamente até desaparecerem. Assim, lembrar não é um ato passivo de armazenamento, mas um processo ativo, seletivo e dependente tanto da atenção quanto do envolvimento emocional e cognitivo com o conteúdo.
Referências bibliográficas:
BROADBENT, D. E. Perception and Communication. London: Pergamon Press, 1958.
KANDEL, Eric R. Em busca da memória: o nascimento de uma nova ciência da mente. Tradução de Carlos Afonso Malferrari. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
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