O materialismo histórico é o método de interpretação da realidade social desenvolvido por Karl Marx e Friedrich Engels, segundo o qual a base da vida em sociedade está nas condições materiais de existência, isto é, na forma como os seres humanos produzem seus meios de vida. Para essa perspectiva, não são as ideias, a consciência ou a cultura que explicam a organização social, mas, fundamentalmente, o modo de produção, a articulação entre forças produtivas (trabalho, técnica, tecnologia, conhecimento) e relações de produção (formas de propriedade, divisão do trabalho, relações de classe) (Marx & Engels, 2007; Netto & Braz, 2012).
Nesse modelo, a sociedade se estrutura a partir de uma base material (infraestrutura econômica), sobre a qual se constrói uma superestrutura composta por instituições políticas, jurídicas, religiosas, culturais e ideológicas. Essa superestrutura não é neutra: ela expressa e sustenta os interesses da classe dominante em cada modo de produção, naturalizando desigualdades e relações de poder. Assim, as ideias dominantes em uma época são, em grande medida, as ideias da classe dominante, pois refletem sua posição material na estrutura social (Marx, 2008; Engels, 2010).
O motor da história, para o materialismo histórico, é a luta de classes. As contradições internas dos modos de produção, como a exploração do trabalho no capitalismo, geram conflitos sociais que impulsionam transformações históricas, levando à superação de um sistema e à constituição de outro. Desse modo, o materialismo histórico não é apenas uma teoria econômica, mas uma teoria crítica da sociedade, que busca compreender as estruturas sociais a partir de suas bases materiais e, ao mesmo tempo, revelar os mecanismos de dominação, alienação e desigualdade que organizam a vida social (Marx & Engels, 2007; Netto & Braz, 2012; Paixão, 2012).
Para saber mais:
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.
MARX, Karl. Contribuição à crítica da economia política. São Paulo: Expressão Popular, 2008.
ENGELS, Friedrich. Do socialismo utópico ao socialismo científico. São Paulo: Centauro, 2010.
NETTO, José Paulo; BRAZ, Marcelo. Economia política: uma introdução crítica. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2012.
PAIXÃO, Alessandro Eziquiel da. Sociologia geral. Curitiba: InterSaberes, 2012.
ARON, Raymond. As etapas do pensamento sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 2002.