A puberdade e a adolescência são processos profundamente relacionados, mas não são sinônimos. A puberdade diz respeito, fundamentalmente, às transformações biológicas e hormonais que marcam a maturação sexual do corpo humano, como o desenvolvimento dos órgãos reprodutivos, o surgimento de caracteres sexuais secundários (por exemplo, crescimento de pelos, mudança de voz, desenvolvimento das mamas) e a capacidade reprodutiva. Trata-se, portanto, de um processo fisiológico, relativamente universal, ainda que variem o tempo e o ritmo em cada indivíduo, determinado principalmente por fatores genéticos e endócrinos (Papalia; Feldman, 2013; Guyton; Hall, 2017).
A adolescência, por sua vez, é uma categoria mais ampla e complexa, que ultrapassa o plano biológico e envolve dimensões psicológicas, sociais, culturais e históricas. Ela corresponde a uma fase do desenvolvimento humano marcada pela construção da identidade, pela reorganização dos vínculos afetivos, pela busca de autonomia, pela redefinição da relação com o corpo, com a família e com o mundo social, além de profundas transformações emocionais e simbólicas. Diferentemente da puberdade, a adolescência não é apenas um dado biológico, mas uma construção social e cultural, que assume significados distintos conforme a sociedade e o contexto histórico (Erikson, 1976; Aberastury; Knobel, 1981; Ariès, 1981).
Assim, enquanto a puberdade refere-se ao processo orgânico de maturação do corpo, a adolescência constitui uma experiência existencial e social mais ampla, que inclui a puberdade, mas não se reduz a ela. Em termos simples, toda adolescência envolve puberdade, mas nem tudo que define a adolescência pode ser explicado pelas transformações biológicas do corpo, pois ela é também atravessada por linguagem, cultura, subjetividade, relações sociais e processos históricos (Vigotski, 2001; Le Breton, 2011).
Para saber mais:
ARIÈS, Philippe. História social da criança e da família. Rio de Janeiro: LTC, 1981.
ABERASTURY, Arminda; KNOBEL, Maurício. Adolescência normal. Porto Alegre: Artes Médicas, 1981.
ERIKSON, Erik H. Identidade: juventude e crise. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.
GUYTON, Arthur C.; HALL, John E. Tratado de fisiologia médica. 13. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.
PAPALIA, Diane E.; FELDMAN, Ruth D. Desenvolvimento humano. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.
VIGOTSKI, Lev S. A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
LE BRETON, David. A sociologia do corpo. Petrópolis: Vozes, 2011.