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O emagrecimento como produto

Para a indústria do emagrecimento, o emagrecimento não é apenas um processo corporal ou de saúde, mas um produto. Trata-se de algo que pode ser vendido continuamente por meio de dietas, programas, suplementos, aplicativos, procedimentos estéticos, promessas motivacionais e discursos “científicos” simplificados. O corpo que emagrece é apresentado como prova de sucesso, enquanto o corpo que não responde é tratado como falha individual, o que mantém o consumidor preso a um ciclo constante de tentativa e frustração.

Essa indústria se sustenta, em grande parte, na criação de insatisfação permanente. Ao estabelecer padrões estéticos quase inalcançáveis e ao associar magreza à felicidade, autoestima, amor e reconhecimento social, ela transforma o emagrecimento em uma promessa de redenção pessoal. O desejo de emagrecer deixa de estar ligado apenas à saúde e passa a funcionar como resposta a inseguranças profundas, produzidas e reforçadas pelo próprio mercado que oferece a solução (Bordo, 1993).

Além disso, o fracasso é um elemento estrutural desse sistema. Como a maioria das dietas restritivas não se sustenta a longo prazo, o retorno do peso é comum. Em vez de questionar o método, a indústria desloca a culpa para o indivíduo, afirmando que ele “não teve disciplina” ou “não seguiu corretamente”. Dessa forma, o emagrecimento se mantém como um ideal sempre adiado, garantindo a continuidade do consumo. Assim, para a indústria do emagrecimento, emagrecer não é um fim, mas um meio de manter corpos insatisfeitos, vigilantes e economicamente rentáveis.

Para saber mais:
BORDO, Susan. Unbearable weight: feminism, western culture, and the body. Berkeley: University of California Press, 1993.



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