As pesquisas qualitativas são aquelas que se orientam pela compreensão dos fenômenos em sua dimensão subjetiva, simbólica, social e cultural, buscando captar significados, sentidos, interpretações e experiências vividas pelos sujeitos. Diferentemente das pesquisas quantitativas, que priorizam a mensuração e a quantificação de dados, a abordagem qualitativa volta-se para a compreensão profunda da realidade, considerando os contextos, as relações e as singularidades dos fenômenos humanos e sociais. O foco não está em números, mas na interpretação dos sentidos que os sujeitos atribuem às suas práticas, discursos e experiências (SEVERINO, 2007).
Do ponto de vista metodológico, as pesquisas qualitativas utilizam procedimentos como entrevistas abertas ou semiestruturadas, observação participante, análise de documentos, relatos de vida, grupos focais e estudos de caso. Os dados são predominantemente textuais, narrativos e simbólicos, e sua análise envolve processos interpretativos, como categorização, análise de conteúdo e análise temática. O pesquisador não se coloca como um observador neutro e distante, mas como um sujeito que interage com o campo de pesquisa, reconhecendo que o conhecimento produzido é resultado da relação entre pesquisador e realidade investigada.
Assim, a pesquisa qualitativa é essencial para compreender a complexidade dos fenômenos humanos, os processos de construção de sentidos, as dinâmicas sociais e os modos de subjetivação. Ela não busca generalizações estatísticas, mas compreensões profundas e contextualizadas da realidade, contribuindo para uma leitura crítica e interpretativa do mundo social. Trata-se de uma abordagem que reconhece que o conhecimento científico não se limita à explicação causal, mas envolve também a compreensão dos significados e das experiências humanas, constituindo um campo fundamental da produção científica nas ciências humanas e sociais (SEVERINO, 2007).
Referência:
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. São Paulo: Cortez, 2007.