O que é o gênero não binário?

Segundo Judith Butler, o gênero não deve ser compreendido como uma consequência direta do sexo biológico, mas como uma construção histórica, social e cultural, produzida por normas, discursos e práticas reiteradas ao longo do tempo (Butler, 1990; 2004). A partir dessa perspectiva, a divisão rígida entre “homem” e “mulher” não é natural nem universal, mas um efeito de sistemas normativos que organizam os corpos e as identidades de forma binária.

É nesse quadro teórico que se torna possível compreender as experiências de pessoas não binárias. Embora Butler não formule uma definição normativa de “gênero não binário”, sua crítica à matriz heterossexual e à ideia de gêneros fixos e estáveis abre espaço para identidades que não se reconhecem plenamente como masculinas ou femininas, ou que recusam essa oposição como única possibilidade de existência (Butler, 1990). Assim, o gênero não binário pode ser entendido como uma vivência que escapa ou resiste à lógica binária tradicional, podendo manifestar-se de diversas formas: sentir-se entre gêneros, combinar elementos socialmente associados ao masculino e ao feminino, não se identificar com nenhum gênero (agênero), transitar entre gêneros ao longo do tempo (gênero fluido) ou construir uma identidade singular que não se encaixa em categorias preexistentes.

Para Butler, o gênero é performativo, isto é, não se trata de algo que se “é”, mas de algo que se “faz” repetidamente, por meio de gestos, modos de falar, vestir-se e relacionar-se, sempre dentro de um campo de normas sociais que podem ser reproduzidas ou subvertidas (Butler, 1993). As identidades não binárias, nesse sentido, evidenciam os limites dessas normas e revelam que o gênero é uma categoria aberta, instável e passível de transformação. Elas não apenas expressam experiências individuais, mas também têm um potencial político, ao questionar a naturalização do binarismo e ampliar as formas socialmente reconhecidas de existência e subjetivação (Butler, 2004).

Referências bibliográficas:
BUTLER, Judith.Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity. New York: Routledge, 1990.
BUTLER, Judith. Bodies That Matter: On the Discursive Limits of “Sex”. New York: Routledge, 1993.
BUTLER, Judith. Undoing Gender. New York: Routledge, 2004.

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Donald Winnicott

“(…) Pode acontecer que alguém ame uma criança e, no entanto, fracasse porque essa criança não tem o sentimento de estar em casa. Acho que a questão consiste em que, se você constrói um lar para uma criança, você está lhe dando um pouco do mundo que ela pode compreender e em que pode acreditar, nos momentos em que o amor falha. Pois às vezes, necessariamente, o amor falha, pelo menos superficialmente. (…)” Winnicott (1987, p. 42)

Referências Bibliográficas: WINNICOTT, Donald W. Privação e delinquência. Tradução de Álvaro Cabral. 1. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1987.

Lev Vigotski

É recorrente a indagação acerca de como indivíduos que compartilham o mesmo contexto familiar e educacional, como irmãos criados sob as mesmas condições materiais e simbólicas, podem desenvolver trajetórias e modos de ser tão distintos. À luz da perspectiva histórico-cultural de Vigotski, tal fenômeno se explica pelo fato de que a experiência social não é assimilada de forma homogênea pelos sujeitos. Cada indivíduo, ao se relacionar com o mundo social, apropria-se dos signos, práticas e relações de maneira singular, produzindo sentidos próprios a partir de suas vivências concretas. Assim, o desenvolvimento humano resulta de um processo dialético entre o social e o individual, no qual as condições objetivas são mediadas pela história pessoal, pelas interações específicas e pela forma particular como cada sujeito atribui significado à sua realidade.

Referências bibliográficas: POTT, Eveline Tonelotto Barbosa. Desenvolvimento humano I. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A, 2019.

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Abraham Maslow

A Pirâmide de Maslow é um modelo teórico proposto pelo psicólogo humanista Abraham Maslow para explicar a motivação humana. Segundo ele, as pessoas são movidas por uma série de necessidades organizadas em níveis, que vão das mais básicas e biológicas até as mais elevadas e existenciais. Segundo Myers, a pirâmide mostra que as necessidades humanas começam no corpo (necessidades fisiológicas), passam pela busca de estabilidade (necessidades de segurança), seguem para o afeto (necessidade de estima), depois para a valorização pessoal, e finalmente para o crescimento interior.

Referências bibliográficas: MYERS, David G. Psicologia. Tradução de Daniel Argolo Estill, Heitor M. Corrêa. Rio de Janeiro: LTC, 2012.

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Henri Wallon

Segundo a teoria psicogenética de Henri Wallon, o psiquismo humano é formado pela integração de quatro conjuntos funcionais. De um modo geral: o afetivo (emoções), o cognitivo (pensamento), o motor (movimentos com o corpo) e o que ele chamou de pessoa (a integração entre os outros três). Imagine uma criança de 3 anos que está na escola pela manhã. A professora diz: “Agora vamos desenhar.” A criança sente alegria porque adora desenhar. Então, começa a colorir. A emoção de alegria (conjunto afetivo) motiva a criança a participar da atividade. Segundo Galvão (1995), para Wallon, o ambiente não é formado apenas por elementos materiais e visíveis da realidade, ele também inclui afetos, que possibilitam à criança criar e imaginar situações inventadas. As situações imaginadas são igualmente uma fonte importante para seu desenvolvimento.

Referências bibliográficas: GALVÃO, I. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. 4 ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1995. 

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