Para Carl Rogers, o ser humano não é movido apenas por impulsos ou condicionamentos externos, mas nasce com uma tendência atualizante, isto é, uma força interna e natural que o impulsiona ao crescimento, à realização de suas potencialidades e à busca de um funcionamento cada vez mais pleno, tanto no plano físico quanto emocional e intelectual. Essa tendência representa a confiança de Rogers na capacidade humana de se desenvolver de forma construtiva, desde que as condições adequadas estejam presentes.
No entanto, Rogers enfatiza que essa força interna não se desenvolve automaticamente nem de maneira isolada. Para que a tendência atualizante se manifeste de forma saudável, o indivíduo precisa crescer em um ambiente relacional acolhedor, marcado pela segurança emocional, pela aceitação e pelo afeto. É nas relações significativas, especialmente nas primeiras experiências com os cuidadores, que a criança aprende a confiar em si mesma e em suas emoções. Quando se sente aceita como é, sem precisar corresponder a exigências rígidas para receber amor, a criança consegue integrar suas experiências internas e construir um self mais coerente e equilibrado.
Nesse sentido, o comportamento infantil considerado saudável, para Rogers, não é resultado de controle externo ou punição, mas da qualidade da relação estabelecida com os adultos de referência. A aceitação positiva incondicional e a empatia dos cuidadores permitem que a criança se sinta valorizada e compreendida, o que reduz a necessidade de recorrer a comportamentos negativos, como birras, mentiras ou agressividade, para obter atenção ou aprovação. Ao sentir que suas necessidades emocionais são reconhecidas, a criança desenvolve formas mais equilibradas e autênticas de se expressar e de se relacionar com o outro.
Assim, a proposta rogeriana desloca o foco da correção do comportamento para o cuidado com o vínculo. O desenvolvimento saudável não depende de moldar a criança a padrões externos, mas de criar um clima emocional que favoreça o florescimento de suas potencialidades, respeitando sua singularidade e promovendo autonomia e autorregulação..
Para saber mais:
ROGERS, Carl R. Terapia centrada no cliente. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 2001.