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Por que manter um diário terapêutico é importante?

Manter um diário terapêutico é uma prática valorizada na psicologia porque a escrita ajuda a organizar a experiência subjetiva. Ao colocar no papel pensamentos e emoções, a pessoa transforma vivências internas, muitas vezes confusas ou angustiantes, em algo nomeável e compreensível. Esse processo favorece a elaboração psíquica, pois aquilo que é escrito deixa de permanecer apenas no campo da emoção difusa e passa a ser simbolizado. Pennebaker mostra que a escrita expressiva permite integrar emoção e pensamento, reduzindo o impacto do estresse e favorecendo a saúde mental, inclusive quando se trata de experiências difíceis ou dolorosas (Pennebaker, 1999; Pennebaker & Chung, 2013).

Além disso, o diário terapêutico contribui para o autoconhecimento e para a regulação emocional. Ao registrar sentimentos recorrentes, reações e padrões de pensamento, o indivíduo passa a reconhecer melhor seus próprios modos de funcionamento psíquico. Esse movimento amplia a capacidade reflexiva e fortalece a autonomia emocional, aspecto central em diferentes abordagens psicológicas. Na terapia cognitivo-comportamental, por exemplo, o registro escrito é usado justamente para ajudar o paciente a identificar pensamentos automáticos e emoções associadas, favorecendo mudanças mais conscientes no comportamento (Beck, 2013). Da mesma forma, práticas baseadas em atenção plena destacam a escrita como um recurso de observação de si sem julgamento (Kabat-Zinn, 2017).

Por fim, o diário terapêutico funciona como um registro do percurso subjetivo ao longo do tempo. Ao reler escritos antigos, a pessoa pode perceber transformações internas, amadurecimento emocional e estratégias de enfrentamento que foram construídas, o que fortalece o senso de continuidade do eu e a autoestima. Esse retorno à própria narrativa ajuda a ressignificar experiências passadas e a reconhecer conquistas que, no dia a dia, costumam passar despercebidas. Por isso, a escrita terapêutica é frequentemente indicada como um recurso complementar à psicoterapia e também como uma prática autônoma de cuidado psicológico e promoção de saúde mental (Bolton, 2004; Pennebaker, 1999).

Para saber mais:
BECK, Judith S. Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2013.
BOLTON, Gillie. Escrita terapêutica: o poder da escrita para a saúde e o bem-estar. São Paulo: Summus, 2004.
KABAT-ZINN, Jon. Atenção plena para iniciantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2017.
PENNEBAKER, James W. A escrita como cura. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999.
PENNEBAKER, J. W.; CHUNG, C. K. Escrita expressiva e saúde. In: Psicologia da saúde. Porto Alegre: Artmed, 2013.



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