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Disciplina positiva em sala de aula

No primeiro capítulo, Jane Nelsen apresenta a base conceitual da Disciplina Positiva e começa questionando uma crença muito comum na educação: a ideia de que, para ensinar disciplina, é preciso ser rígido, punitivo ou autoritário. Para a autora, essa lógica cria apenas obediência momentânea, mas não promove aprendizagem profunda nem desenvolvimento emocional. Ela afirma que a verdadeira disciplina não nasce do medo, mas do respeito mútuo.

Nelsen propõe que disciplina significa ensinar, e não punir. Ensinar envolve ajudar a criança a desenvolver autocontrole, responsabilidade, cooperação e habilidades sociais que serão úteis ao longo da vida. Assim, o foco da disciplina positiva não está em “controlar” o comportamento, mas em ajudar o aluno a compreender o impacto de suas ações e a aprender formas mais adequadas de se comportar no contexto coletivo da sala de aula.

Um ponto central do capítulo é a ideia de que a disciplina eficaz precisa ser, ao mesmo tempo, gentil e firme. Gentil no sentido de respeitar a dignidade da criança, seus sentimentos e sua etapa de desenvolvimento; firme no sentido de manter limites claros, consistentes e previsíveis. Para Nelsen, quando a disciplina é apenas gentil, corre o risco de se tornar permissiva; quando é apenas firme, tende a se tornar autoritária. O equilíbrio entre esses dois polos é o que sustenta um ambiente saudável de aprendizagem.

A autora também introduz o conceito de pertencimento e significado como necessidades psicológicas fundamentais. Crianças que se sentem pertencentes ao grupo e percebem que têm valor tendem a colaborar mais. Já comportamentos considerados “problemas” são interpretados como tentativas equivocadas de alcançar pertencimento ou importância. Em vez de rotular a criança como “indisciplinada”, o professor é convidado a perguntar: “O que esse comportamento está tentando comunicar?”.

Nesse capítulo inicial, Nelsen critica práticas tradicionais baseadas em punições, recompensas excessivas e ameaças. Segundo ela, essas estratégias até podem funcionar no curto prazo, mas não ensinam autorregulação nem promovem autonomia moral. Ao contrário, podem gerar ressentimento, dependência de aprovação externa ou resistência silenciosa. A disciplina positiva busca resultados de longo prazo, formando alunos capazes de pensar, escolher e assumir responsabilidades.

Por fim, o capítulo destaca que a sala de aula deve ser um espaço de aprendizagem não apenas acadêmica, mas também emocional e social. O professor deixa de ser apenas uma autoridade que impõe regras e passa a ser um mediador do desenvolvimento, ajudando os alunos a aprenderem a lidar com frustrações, conflitos e limites de forma construtiva. Esse primeiro capítulo funciona, portanto, como um convite à mudança de olhar: da disciplina como controle para a disciplina como formação humana.

“Os jovens parecem estar mais dispostos a ouvir quando são ouvidos. Eles compreendem melhor suas emoções e comportamentos pelo parecer que recebem dos seus colegas.” (Jane Nelsen) p. 5-6

Para saber mais:
NELSEN, Jane; LOTT, Lynn; GLENN, H. Stephen. Disciplina positiva em sala de aula. 4ª ed. Barueri: Manole, 2017.



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