história do Brasil

O que foi a Guerra da Chibata?

A Guerra da Chibata foi uma revolta ocorrida em 1910, no Rio de Janeiro, protagonizada por marinheiros da Marinha brasileira contra os castigos físicos (especialmente a chibata), a violência disciplinar, o racismo estrutural e as condições desumanas de trabalho dentro das embarcações militares. O movimento foi liderado por João Cândido, conhecido como “o Almirante Negro”, e reuniu majoritariamente marinheiros negros, pobres e filhos de ex-escravizados, em um contexto em que a escravidão havia sido abolida formalmente apenas 22 anos antes, mas suas práticas de dominação e humilhação permaneciam institucionalizadas no Estado (Schwarcz, 2019; Sevcenko, 2014).

O estopim da revolta foi a aplicação de centenas de chibatadas a um marinheiro, prática ainda legal e comum na Marinha, mesmo após a Proclamação da República. Como resposta, os marinheiros tomaram o controle de navios de guerra modernos, como o Encouraçado Minas Gerais, apontaram seus canhões para a cidade do Rio de Janeiro e exigiram o fim dos castigos corporais, melhores condições de trabalho, anistia aos revoltosos e respeito à dignidade humana. A revolta não tinha caráter golpista nem pretendia tomar o poder político: tratava-se de uma luta por direitos básicos, dignidade e reconhecimento, em uma instituição marcada por hierarquias rígidas, autoritarismo e heranças diretas da lógica escravocrata (Sevcenko, 2014; Schwarcz, 2019).

O governo aceitou formalmente as exigências, prometeu acabar com a chibata e conceder anistia, o que levou ao fim da revolta. No entanto, pouco tempo depois, muitos marinheiros foram presos, perseguidos, expulsos da Marinha ou mortos, e João Cândido foi encarcerado e posteriormente marginalizado socialmente, vivendo em pobreza extrema. Historicamente, a Guerra da Chibata é compreendida como um símbolo da luta contra o racismo institucional, a violência de Estado e a permanência de estruturas escravocratas no Brasil republicano, revelando que a abolição da escravidão não significou inclusão social, cidadania real ou igualdade de direitos para a população negra (Schwarcz, 2019).

Assim, a Guerra da Chibata não foi apenas uma revolta militar, mas um marco histórico da resistência popular negra no Brasil, mostrando que a República nasceu mantendo práticas autoritárias, excludentes e violentas, e que a luta por dignidade, cidadania e direitos humanos no país sempre esteve profundamente ligada à história do racismo estrutural e da exclusão social.

Referências bibliográficas:
SEVCENKO, Nicolau. A Revolta da Vacina: mentes insanas em corpos rebeldes. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.
SCHWARCZ, Lilia Moritz. Sobre o autoritarismo brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
OPENAI. Explicação sobre a Guerra da Chibata. ChatGPT, modelo GPT-5.2, 2026. Disponível em: https://chat.openai.com/ . Acesso em: 23 fev. 2026



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