Segundo a OpenAi (2026), a Guerra da Vacina foi uma revolta popular ocorrida no Rio de Janeiro em 1904, durante os primeiros anos da República, e teve como estopim a imposição da vacinação obrigatória contra a varíola pelo governo federal. Embora tenha sido apresentada oficialmente como uma política de saúde pública, a obrigatoriedade da vacina foi vivida pela população pobre como uma forma de violência institucional, controle social e invasão da vida privada, especialmente em um contexto marcado por autoritarismo estatal, desigualdade social e ausência de diálogo entre governo e povo (Sevcenko, 2014; Schwarcz, 2019).
O principal responsável pela política sanitária foi o médico sanitarista Oswaldo Cruz, diretor de saúde pública, que liderava campanhas de combate à varíola, à febre amarela e à peste bubônica. Ao mesmo tempo, o então presidente Rodrigues Alves conduzia um amplo projeto de modernização urbana do Rio de Janeiro, conhecido como “bota-abaixo”, que demoliu cortiços e expulsou milhares de pessoas pobres do centro da cidade. Assim, a vacinação obrigatória não ocorreu isoladamente: ela se somou às remoções forçadas, à repressão policial e à precarização das condições de vida, produzindo um clima de profundo ressentimento social e desconfiança em relação ao Estado (Sevcenko, 2014; Benchimol, 1990).
Quando a lei da vacinação obrigatória foi aprovada, autorizando agentes do Estado a entrarem nas casas para vacinar à força, a população reagiu com protestos, barricadas, confrontos de rua e ataques a símbolos do poder público. A revolta durou cerca de uma semana, foi violentamente reprimida pelo Exército e pela polícia, deixou mortos, feridos, presos e deportados, e levou o governo a suspender temporariamente a obrigatoriedade da vacina. Historicamente, a Guerra da Vacina não é interpretada como um movimento “contra a ciência”, mas como uma reação a um modelo de modernização autoritário, que impunha políticas públicas sem participação popular, sem informação adequada e sem respeito às condições sociais da população pobre (Schwarcz, 2019; Sevcenko, 2014).
Assim, a Guerra da Vacina revela um padrão estrutural da história brasileira: reformas feitas “de cima para baixo”, em nome do progresso e da ciência, mas sem inclusão social, sem escuta e sem cidadania efetiva. Ela mostra que a resistência popular não era à vacina em si, mas à forma como o Estado tratava os corpos, as casas e as vidas das pessoas pobres, transformando políticas sanitárias em instrumentos de controle e repressão, em vez de cuidado e proteção coletiva (Benchimol, 1990; Schwarcz, 2019).
Referências bibliográficas:
BENCHIMOL, Jaime Larry. Dos micróbios aos mosquitos: febre amarela e a revolução pasteuriana no Brasil. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1990.
SEVCENKO, Nicolau. A Revolta da Vacina: mentes insanas em corpos rebeldes. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.
SCHWARCZ, Lilia Moritz. Sobre o autoritarismo brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
OPENAI. Explicação sobre a Guerra da Vacina. ChatGPT, modelo GPT-5.2, 23 fev. 2026. Disponível em: https://chat.openai.com/ . Acesso em: 23 fev. 2026.