literatura brasileira

De que trata Os Sertões, de Euclides da Cunha?

Segundo a OpenAi (2026), Os Sertões, de Euclides da Cunha, é uma obra fundamental da literatura e do pensamento social brasileiro, publicada em 1902, que analisa a Guerra de Canudos (1896–1897) não apenas como um conflito militar, mas como um fenômeno histórico, social, político e cultural profundamente ligado à formação do Brasil. O livro parte de uma perspectiva científica típica do final do século XIX, influenciada pelo positivismo, pelo determinismo geográfico e pelo darwinismo social, buscando explicar o comportamento humano e os conflitos sociais a partir da relação entre meio ambiente, raça e organização social (Cunha, 1902/2016; Schwarcz, 2019).

A obra é estruturada em três partes — “A Terra”, “O Homem” e “A Luta” — que se articulam de forma lógica e progressiva. Em A Terra, Euclides descreve o sertão nordestino como um ambiente físico hostil, marcado pela seca, pelo clima extremo e pela precariedade dos recursos naturais, construindo a ideia de que o meio molda profundamente os modos de vida e as formas de organização social (Cunha, 1902/2016). Em O Homem, ele analisa o sertanejo como resultado dessa interação entre ambiente e história, retratando-o como resistente, forte e adaptado às adversidades, mas também como socialmente marginalizado pelo Estado e pelas elites urbanas, numa leitura marcada por categorias científicas da época, como raça, miscigenação e hereditariedade (Schwarcz, 2019; Sevcenko, 2003). Já em A Luta, o autor narra o conflito de Canudos propriamente dito, mostrando como o exército brasileiro destrói a comunidade liderada por Antônio Conselheiro, revelando o choque entre o Brasil “oficial”, republicano e urbano, e o Brasil “real”, sertanejo, pobre e excluído (Cunha, 1902/2016).

Mais do que um relato histórico, Os Sertões é uma crítica profunda à forma como o Estado brasileiro tratou suas populações internas, transformando o sertanejo em inimigo da nação e justificando a violência em nome da ordem e do progresso. Ao longo da obra, o próprio Euclides da Cunha passa por uma transformação intelectual: começa com uma visão cientificista que tenta explicar Canudos como atraso e fanatismo, mas termina reconhecendo a brutalidade do massacre e a injustiça histórica cometida contra aquela população, o que dá ao livro uma dimensão ética e política muito forte (Sevcenko, 2003). Por isso, Os Sertões é ao mesmo tempo um livro de literatura, sociologia, geografia, história e crítica social, sendo considerado uma das obras mais importantes para compreender a formação do Brasil, suas desigualdades estruturais e a distância entre o país oficial e o país real (Schwarcz, 2019).

Para saber mais:
CUNHA, Euclides da. Os Sertões. São Paulo: Nova Aguilar, 2016 (edição crítica).
SEVCENKO, Nicolau. Literatura como missão: tensões sociais e criação cultural na Primeira República. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
SCHWARCZ, Lilia Moritz. Sobre o autoritarismo brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
OPENAI. Explicação sobre a Guerra de Canudos. ChatGPT, modelo GPT-5.2, 23 fev. 2026. Disponível em: https://chat.openai.com/ . Acesso em: 23 fev. 2026.



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