Segundo Princípios básicos de análise do comportamento, de Moreira e Medeiros, os efeitos de eliciações sucessivas referem-se às mudanças que ocorrem na resposta de um organismo quando um mesmo estímulo é apresentado repetidas vezes em sequência, eliciando a mesma resposta reflexa de forma contínua. “Eliciar” significa provocar uma resposta; assim, eliciações sucessivas correspondem à repetição do processo estímulo–resposta ao longo do tempo. Esse fenômeno mostra que os reflexos não são totalmente rígidos e invariáveis, mas podem sofrer modificações funcionais dependendo da repetição e das condições de estimulação.
Um dos principais efeitos observados é a habituação, que ocorre quando a repetição contínua de um estímulo provoca uma diminuição progressiva da intensidade da resposta. Isso significa que o organismo passa a reagir cada vez menos ao mesmo estímulo. Por exemplo, um barulho repetitivo inicialmente provoca sobressalto, mas, com o tempo, a reação diminui ou desaparece. O estímulo continua existindo, mas sua capacidade de eliciar a resposta se enfraquece. Esse efeito mostra que o sistema comportamental se adapta à estimulação constante, evitando gasto desnecessário de energia com estímulos irrelevantes.
Outro efeito importante é a sensibilização, que é o processo inverso da habituação. Nela, as eliciações sucessivas levam ao aumento da intensidade da resposta, tornando o organismo mais reativo ao estímulo. Isso ocorre, por exemplo, em situações de dor, medo ou ameaça, em que estímulos repetidos podem aumentar a reatividade do organismo. Assim, em vez de diminuir, a resposta se intensifica. Esses dois processos demonstram que a repetição do estímulo não gera sempre o mesmo efeito: o comportamento pode se tornar menos sensível ou mais sensível, dependendo do contexto e da natureza da estimulação. “Eliciações sucessivas com estímulos aversivos, como choques elétricos, por exemplo, tendem a gerar sensibilização, em vez de habituação.” (MOREIRA e MEDEIROS, 2019, p. 14)
Para Moreira e Medeiros, os efeitos de eliciações sucessivas mostram que o comportamento reflexo não é estático, mas dinâmico e funcional, ajustando-se às condições do ambiente. Mesmo nos níveis mais básicos do comportamento, há processos de adaptação e modificação, o que evidencia que o organismo não reage mecanicamente aos estímulos, mas organiza suas respostas de modo funcional. Esses efeitos são fundamentais para compreender como o comportamento se regula, se adapta e se reorganiza ao longo da experiência, mesmo em processos considerados elementares, como os reflexos.
Referência:
MOREIRA, Marco Antônio; MEDEIROS, Carlos Alberto de. Princípios básicos de análise do comportamento. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.