Segundo Marilena Chauí, a diferença entre o Materialismo Histórico-Dialético e o Estruturalismo está, sobretudo, na forma como cada teoria compreende a realidade social, a história e o processo de transformação da sociedade.
O Materialismo Histórico-Dialético, de matriz marxista, entende que a realidade social é determinada pelas condições materiais de existência, especialmente pelas formas de produção, pelo trabalho e pelas relações econômicas. A sociedade é vista como um processo histórico, dinâmico e contraditório, marcado pela luta de classes e por conflitos estruturais. A dialética indica que a transformação social ocorre por meio das contradições internas do próprio sistema, ou seja, a história se move por conflitos e tensões entre grupos sociais, interesses econômicos e formas de organização da produção. Nesse sentido, a realidade não é estática: ela é histórica, mutável e atravessada por disputas, e o ser humano é entendido como sujeito capaz de transformar o mundo por meio da prática social consciente (CHAUÍ, 2000).
Já o Estruturalismo, conforme apresentado por Chauí, não parte da centralidade da história nem do conflito social, mas da existência de estruturas profundas que organizam a cultura, a linguagem e o pensamento humano. Essas estruturas são vistas como sistemas de relações que dão sentido aos fenômenos sociais, independentemente da consciência individual e, muitas vezes, independentemente do processo histórico. O foco está na lógica interna dos sistemas simbólicos e culturais, e não nas condições materiais de existência nem nas contradições sociais. Assim, enquanto o materialismo histórico-dialético enfatiza o movimento, a transformação e a contradição, o estruturalismo privilegia a ordem, a regularidade e a estabilidade das estruturas que organizam o sentido da realidade social (CHAUÍ, 2000).
De forma sintética, em Chauí, o materialismo histórico-dialético vê a sociedade como um processo histórico em permanente transformação, impulsionado por conflitos materiais e sociais, enquanto o estruturalismo a compreende como um sistema organizado por estruturas simbólicas relativamente estáveis, que moldam o pensamento e a cultura. Um enfatiza a história, a contradição e a mudança; o outro privilegia a estrutura, a relação e a organização do sentido. Assim, tratam-se de perspectivas teóricas profundamente distintas sobre o modo de compreender o ser humano, a sociedade e a produção da realidade social (CHAUÍ, 2000).
Para saber mais:
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2000.