
Sou mãe de gatos, cria do meu tempo, dos meus pais e da minha família. Carrego em mim os afetos, os silêncios, as histórias e as contradições que me atravessaram ao longo da vida e que, de algum modo, também me conduziram até a Psicologia. Sou professora de Língua Portuguesa na rede estadual paulista, graduada em Letras pela Universidade de São Paulo, e atualmente graduanda em Psicologia e Nutrição, além de pós-graduanda em Neuropsicologia Clínica, Nutrição Estética e Educação Especial. Minha trajetória nasce justamente desse encontro entre linguagem, escuta, cuidado e desejo de compreender o ser humano para além das aparências imediatas.
Em breve, pretendo atuar como psicóloga, neuropsicóloga e nutricionista, construindo uma prática clínica fundamentada na Terapia Cognitivo-Comportamental e nos aportes da Psicologia Positiva. Nessas abordagens, encontro não apenas respaldo científico, mas também uma forma profundamente humana de olhar para o sofrimento psíquico. A Terapia Cognitivo-Comportamental me interessa por reconhecer que pensamentos, emoções e comportamentos se entrelaçam continuamente, influenciando a maneira como cada sujeito percebe a si mesmo, os outros e o mundo. Mais do que corrigir pensamentos, compreendo essa abordagem como uma possibilidade de ajudar o indivíduo a reconhecer suas dores, compreender os sentidos construídos ao longo da própria história e desenvolver formas mais saudáveis, conscientes e compassivas de existir.
Já a Psicologia Positiva amplia esse horizonte ao lembrar que saúde mental não se resume apenas à ausência de sofrimento. Ela também envolve a possibilidade de cultivar vínculos significativos, experimentar pertencimento, fortalecer recursos emocionais, desenvolver resiliência e construir uma vida que faça sentido subjetivamente. Interessa-me especialmente a ideia de que, mesmo em meio às fragilidades humanas, ainda é possível encontrar espaços de crescimento, elaboração e reconstrução. Não se trata de negar a dor, mas de reconhecer que o ser humano também é atravessado por potência, criatividade, afeto e capacidade de transformação.
Ao mesmo tempo, compreendo que nenhuma experiência psíquica existe isoladamente. O sofrimento humano não nasce apenas dentro do indivíduo, mas também nas relações sociais, nas desigualdades, nas exigências contemporâneas, nos atravessamentos históricos e nas formas de violência (explícitas ou silenciosas) que moldam a experiência de existir. Por isso, meu olhar também dialoga com perspectivas histórico-culturais e críticas da Psicologia, especialmente a partir dos estudos de Vigotski, Leontiev, Luria, Marx e Maria Helena Souza Patto. Entendo a subjetividade como algo vivo, construído na linguagem, nos vínculos, no trabalho, na cultura e nas condições concretas da vida social.
Tenho profundo interesse por uma formação cultural e intelectual ampla, que ultrapasse os limites estritos da técnica psicológica. Acredito que compreender o sujeito exige também compreender o mundo em que ele vive. Por isso, mantenho diálogo constante com a literatura, a filosofia, as ciências humanas e os debates contemporâneos que atravessam os modos de sofrer, amar, trabalhar, resistir e existir na atualidade. Talvez venha daí meu interesse pela escrita: da tentativa de transformar inquietações em linguagem e de encontrar, nas palavras, alguma forma de elaboração do humano.
Sou vegana e de esquerda. Prezo profundamente pela ética, pela responsabilidade e pelo cuidado na relação com o outro, seja humano ou animal. Entendo a prática psicológica como um espaço de escuta qualificada, acolhimento e respeito à singularidade de cada sujeito. Uma prática que não reduz pessoas a diagnósticos, sintomas ou rótulos, mas que reconhece a complexidade, os limites, as dores e a dignidade presentes em cada trajetória humana. Meu objetivo é construir, ao longo da minha formação e da minha futura atuação profissional, um trabalho sensível, responsável e comprometido com o cuidado psíquico, sempre orientado por princípios científicos, éticos e humanos.
Também sou sócia da Nexus Psicologia e Tecnologia Corporativas Ltda., empresa voltada à gestão de riscos psicossociais no trabalho. Por meio de um sistema próprio e de laudos elaborados por psicólogos habilitados, a Nexus atua na identificação, no monitoramento e na prevenção de fatores psicossociais que impactam a saúde mental nas organizações. Essa experiência amplia minha compreensão sobre o sofrimento psíquico para além do âmbito individual, permitindo um olhar atento às relações entre trabalho, subjetividade e contexto social, sempre orientado por critérios técnicos, científicos e éticos.
Escrevo também o romance psicológico Delíricos de Maria Flor, uma prosa poética que nasce do território instável entre a consciência e o delírio, entre o cotidiano e aquilo que transborda quando já não é possível sustentar o mundo apenas com palavras comuns. No romance, acompanhamos Maria Flor em sua travessia íntima por silêncios, afetos, medos e pequenas epifanias, em uma narrativa marcada por uma escrita sensorial e introspectiva, na qual o pensamento se alonga, tropeça e, por vezes, se desorganiza. É um livro que não busca oferecer respostas prontas, mas abrir espaço para escuta: do corpo, da linguagem e das inquietações que atravessam a experiência profundamente humana de existir.