linguística - neuropsicologia

Como pensava Saussure?

Ferdinand de Saussure pensava a linguagem como um fenômeno essencialmente social, relacional e estrutural, e não como algo natural, biológico ou individual. Para ele, a língua não é um simples instrumento de comunicação nem um conjunto de palavras soltas, mas um sistema organizado de signos, no qual cada elemento só adquire sentido por sua relação com os outros. Isso significa que o valor de uma palavra não está em si mesma, mas na posição que ocupa dentro da estrutura da língua. A linguagem, portanto, não é explicada pela referência direta às coisas do mundo, mas pelas relações internas de diferença entre os signos que compõem o sistema linguístico (Saussure, 1916/2006).

Saussure também estabelece uma distinção fundamental entre língua (langue) e fala (parole). A língua é entendida como um sistema coletivo, social, abstrato e relativamente estável, compartilhado por uma comunidade; já a fala corresponde ao uso individual, concreto e variável desse sistema pelos sujeitos. Essa separação revela sua concepção de que o verdadeiro objeto científico da linguística não é o uso individual da linguagem, mas a estrutura social que torna esse uso possível. Do mesmo modo, ao definir o signo linguístico como a união entre significante (imagem acústica) e significado (conceito), Saussure rompe com qualquer ideia naturalista da linguagem, afirmando o caráter arbitrário dessa relação: não há vínculo natural entre palavra e coisa, mas uma convenção social historicamente construída (Saussure, 1916/2006).

Em termos mais amplos, Saussure pensava a linguagem como uma estrutura simbólica coletiva, que antecede o indivíduo e o constitui como sujeito falante. O ser humano não cria livremente a língua: ele nasce dentro de um sistema já existente, que organiza seu modo de pensar, perceber e significar o mundo. Por isso, sua teoria inaugura uma visão estrutural da linguagem, na qual o sentido não é produzido pela intenção individual, mas pela posição que os signos ocupam dentro de uma totalidade organizada. Essa concepção influenciou profundamente o estruturalismo em áreas como a antropologia, a filosofia, a psicanálise e as ciências humanas em geral (Saussure, 1916/2006; Fiorin, 2002; Dosse, 1993).

Para saber mais:
Saussure, F. (2006). Curso de linguística geral. São Paulo: Cultrix. (Obra original publicada em 1916).
Fiorin, J. L. (2002). Introdução à linguística I: objetos teóricos. São Paulo: Contexto.
Dosse, F. (1993). História do estruturalismo. Campinas: Papirus.



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