antropologia - psicologia

Como pensava Margaret Mead?

Margaret Mead pensava o desenvolvimento humano, a infância e a adolescência a partir de uma perspectiva antropológica, culturalista e relativista, rompendo com a ideia de que os comportamentos, os conflitos psíquicos e as crises do desenvolvimento fossem universais e biologicamente determinados. Para ela, as formas de sentir, pensar, desejar e se tornar adulto são profundamente moldadas pela cultura, pelos sistemas simbólicos e pelas organizações sociais de cada sociedade, o que significa que não existe uma adolescência única e natural, mas múltiplas formas de vivenciar essa etapa da vida, dependendo do contexto cultural (Mead, 1928; 1935).

Em sua obra mais conhecida, Coming of Age in Samoa (1928), Mead mostrou que, em sociedades samoanas, a passagem da infância para a vida adulta ocorria de maneira mais contínua, menos conflituosa e menos marcada por crises do que nas sociedades ocidentais modernas. Isso a levou a criticar diretamente concepções biologicistas, como a de G. Stanley Hall, que entendiam a adolescência como um período universal de “tempestade e tensão” (storm and stress). Para Mead, o sofrimento adolescente não é inevitável nem natural, mas socialmente produzido por estruturas culturais rígidas, repressivas ou contraditórias (Mead, 1928; Papalia; Feldman, 2013).

Assim, sua perspectiva afirma que os processos de desenvolvimento são historicamente situados e culturalmente organizados, e que identidade, gênero, sexualidade, moralidade e subjetividade são construções sociais, não expressões diretas da biologia. Margaret Mead inaugura, desse modo, uma compreensão do humano como ser simbólico e cultural, no qual o desenvolvimento é inseparável das formas de organização social, das práticas educativas e dos sistemas de valores de cada cultura (Mead, 1935; Geertz, 1989).

Para saber mais:
MEAD, Margaret. Coming of age in Samoa: a psychological study of primitive youth for Western civilisation. New York: William Morrow, 1928.
MEAD, Margaret. Sex and temperament in three primitive societies. New York: William Morrow, 1935.
GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989.
PAPALIA, Diane E.; FELDMAN, Ruth D. Desenvolvimento humano. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.



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