Henri Wallon concebe o desenvolvimento humano como um processo integral e dialético, no qual aspectos biológicos, afetivos, sociais e cognitivos estão profundamente interligados. Diferentemente das teorias que privilegiam apenas o amadurecimento orgânico ou o desenvolvimento da inteligência, Wallon afirma que o ser humano se constitui na relação com o outro desde o nascimento. Isso significa que não existe um desenvolvimento puramente individual: a criança se forma por meio das interações sociais, dos vínculos afetivos e do reconhecimento que recebe do meio (WALLON, 2007).
Para Wallon, a emoção ocupa um lugar central no início da vida psíquica. Antes mesmo do pensamento lógico e da linguagem estruturada, a criança se comunica com o mundo por meio de expressões emocionais (choro, riso, gestos e movimentos corporais). Essas emoções não são apenas reações internas, mas funcionam como instrumentos de comunicação social, capazes de mobilizar o outro. Assim, a afetividade não é um obstáculo ao desenvolvimento cognitivo, mas um de seus pontos de partida fundamentais (WALLON, 1975).
O desenvolvimento infantil, segundo Wallon, ocorre por meio de etapas marcadas por crises e contradições. Cada fase apresenta tensões entre polos opostos, como emoção e razão, dependência e autonomia, impulsividade e controle. Essas crises não devem ser vistas como problemas a serem eliminados, mas como momentos necessários de reorganização psíquica, que impulsionam o crescimento da criança. O conflito, portanto, é parte constitutiva do desenvolvimento (WALLON, 2007).
Nesse contexto, Wallon atribui à escola um papel decisivo. A função da educação não é apenas desenvolver o raciocínio lógico ou transmitir conteúdos, mas favorecer o desenvolvimento integral da criança, respeitando suas necessidades emocionais, sociais e cognitivas. O professor, para Wallon, deve compreender as características próprias de cada etapa do desenvolvimento e atuar como mediador, ajudando o aluno a transformar suas dificuldades, crises e contradições em experiências formadoras. Ensinar, assim, é também cuidar do desenvolvimento afetivo e social, e não apenas do intelectual (WALLON, 1975).
Desse modo, a teoria de Wallon propõe uma visão humanizadora da educação, na qual emoção, pensamento e relações sociais formam uma unidade inseparável no processo de constituição do sujeito.
Para saber mais:
WALLON, Henri. A evolução psicológica da criança. Tradução de Ana Maria Bessa. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
WALLON, Henri. Psicologia e educação da infância. Tradução de J. Seabra Filho. Lisboa: Estampa, 1975.