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A Psicanálise e a Psicologia Positiva

A Psicanálise, fundada por Sigmund Freud, tem como objetivo central compreender o funcionamento do inconsciente e os conflitos psíquicos que produzem sofrimento. Para essa abordagem, o ser humano não é plenamente transparente a si mesmo: seus pensamentos, escolhas e sintomas são influenciados por desejos reprimidos, especialmente ligados às pulsões sexuais e agressivas. Esses conteúdos são recalcados porque entram em conflito com as normas sociais, morais ou com a imagem que o sujeito tem de si (FREUD, 1915/2010).

O sofrimento psíquico, segundo a Psicanálise, surge justamente desse conflito entre o desejo inconsciente e as instâncias de controle do psiquismo. O trabalho analítico busca, então, tornar consciente o que foi recalcado, permitindo que o sujeito compreenda o sentido de seus sintomas, lapsos, sonhos e repetições. Não se trata de eliminar o sofrimento de forma imediata, mas de promover uma elaboração psíquica, ampliando a liberdade do sujeito frente às forças inconscientes que o determinam (FREUD, 1937/2017).

Já a Psicologia Positiva, desenvolvida principalmente a partir dos trabalhos de Martin Seligman no final do século XX, propõe uma mudança de foco: em vez de concentrar-se prioritariamente na doença, no déficit ou no sofrimento, ela se dedica ao estudo científico das potencialidades humanas, das condições que favorecem o florescimento e o bem-estar. Seu objetivo é compreender o que faz a vida valer a pena, com base em evidências empíricas e métodos quantitativos (SELIGMAN, 2011).

Essa abordagem investiga e promove emoções positivas, como alegria, gratidão e esperança; forças de caráter, como coragem, perseverança e empatia; além de fatores como resiliência, sentido de vida, engajamento e relações positivas. Em vez de explorar principalmente o passado e os conflitos inconscientes, a Psicologia Positiva tende a enfatizar recursos atuais e futuros, buscando fortalecer virtudes e competências internas que ajudam o indivíduo a lidar melhor com adversidades e a construir uma vida mais satisfatória (SELIGMAN; CSIKSZENTMIHALYI, 2000).

Em síntese, enquanto a Psicanálise parte do sofrimento e do conflito para compreender o sujeito em sua divisão interna, a Psicologia Positiva parte das capacidades e virtudes para promover bem-estar e prevenção. Não são abordagens excludentes: elas operam em níveis distintos de compreensão do humano: uma centrada no sentido inconsciente do sofrimento, a outra no desenvolvimento consciente das potencialidades.

Para saber mais:
FREUD, Sigmund. O inconsciente (1915). Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
FREUD, Sigmund. Análise terminável e interminável (1937). Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.
LAPLANCHE, Jean; PONTALIS, Jean-Bertrand. Vocabulário da psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
SELIGMAN, Martin E. P. Florescer: uma nova compreensão sobre a natureza da felicidade e do bem-estar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.
SELIGMAN, Martin E. P.; CSIKSZENTMIHALYI, Mihaly. Psicologia positiva: uma introdução. American Psychologist, v. 55, n. 1, p. 5-14, 2000.



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