Paige Sweet

Para a socióloga norte-americana Paige L. Sweet (2019), gaslighting é uma forma de manipulação psicológica que uma pessoa faz a outra duvidar da própria percepção, memória ou sanidade. O objetivo é confundir, desestabilizar e ganhar controle sobre a vítima, muitas vezes de modo sutil e progressivo. O agressor contradiz fatos óbvios. Com isso, a vítima passa a duvidar da própria interpretação. Ou ainda, as emoções da pessoa são tratadas como inválidas, criando nela insegurança emocional. O manipulador também mistura verdade e mentira, muda a versão, faz comentários ambíguos, e a vítima fica sem saber o que é real ou não. Aos poucos, a pessoa passa a estranhar as próprias lembranças, hesita antes de expressar o que sente e começa a internalizar a ideia de que o outro sabe mais sobre sua própria realidade do que ela mesma. Do ponto de vista sociológico, Sweet explica que o gaslighting é também um fenômeno relacional, moldado por dinâmicas de poder. Tende a ocorrer em contextos onde o agressor detém mais autoridade simbólica, emocional, econômica ou social, em relações afetivas, familiares ou profissionais.

Referências bibliográficas: SWEET, Paige L. The Sociology of Gaslighting. American Sociological Review, v. 84, n. 5, p. 851-875, 2019.

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