Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ludopatia – ou transtorno do jogo – é uma dependência comportamental caracterizada pela perda de controle sobre o ato de apostar, mesmo diante de consequências negativas evidentes. A pessoa passa a sentir uma necessidade compulsiva para o jogo, o que pode resultar em graves prejuízos financeiros, conflitos familiares, sofrimento psíquico e progressivo isolamento social (OMS).
Trata-se, portanto, de um problema de saúde mental, e não de uma falha moral ou simples falta de força de vontade. A ludopatia envolve alterações nos circuitos de recompensa do cérebro, nos processos de tomada de decisão e na regulação emocional, o que ajuda a compreender por que o indivíduo persiste no comportamento apesar das perdas acumuladas (APA; OMS).
O tratamento do jogo patológico exige uma abordagem integrada, considerando as dimensões psicológicas, psiquiátricas e sociais do transtorno. Entre as estratégias mais utilizadas está a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que busca identificar e modificar pensamentos distorcidos sobre o jogo, desenvolver estratégias de autocontrole, fortalecer habilidades de enfrentamento e reduzir comportamentos impulsivos. Quando necessário, o acompanhamento psiquiátrico e o apoio social complementam o cuidado, ampliando as chances de recuperação e de reconstrução da vida pessoal e financeira (Petry, 2005).
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). International Classification of Diseases for Mortality and Morbidity Statistics (ICD-11). Geneva: World Health Organization, 2019.
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (APA). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR. 5. ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
PETRY, Nancy M. Pathological Gambling: Etiology, Comorbidity, and Treatment. Washington, DC: American Psychological Association, 2005.
Envie para um(a) amigo(a):
