Segundo Bear, Connors e Paradiso, o sistema límbico pode ser entendido como um conjunto integrado de estruturas cerebrais que desempenham papel central na regulação das emoções, da motivação e da memória ligada às experiências afetivas. Ele não atua de forma isolada, mas como uma rede que conecta processos corporais, como alterações hormonais, batimentos cardíacos e respostas autonômicas, às vivências subjetivas de prazer, medo, raiva ou tristeza. Por isso, costuma ser descrito como um elo entre o corpo e a mente emocional, pois transforma estados fisiológicos em sentimentos conscientes e orienta o comportamento a partir deles (Bear; Connors; Paradiso, 2017).
Na prática, o sistema límbico ajuda o organismo a avaliar rapidamente o significado emocional das situações. Quando algo é percebido como ameaçador, por exemplo, estruturas como a amígdala ativam respostas automáticas de defesa, preparando o corpo para agir antes mesmo de uma análise racional detalhada. Ao mesmo tempo, regiões como o hipocampo participam do registro dessas experiências, associando emoções a memórias, o que permite aprender com situações passadas e antecipar consequências futuras. Dessa forma, emoção e memória tornam-se profundamente interligadas, influenciando decisões e comportamentos cotidianos (Bear; Connors; Paradiso, 2017).
Assim, o sistema límbico não apenas “gera emoções”, mas organiza a experiência emocional como um todo, articulando sensações corporais, lembranças e significados. Ele possibilita que eventos do mundo externo ganhem valor afetivo e motivacional, orientando escolhas, vínculos e ações. Quando seu funcionamento se altera, podem surgir dificuldades na regulação emocional, na motivação e na relação com as próprias experiências, o que ajuda a explicar sua relevância em diferentes transtornos psicológicos e psiquiátricos (Bear; Connors; Paradiso, 2017).
Para saber mais:
BEAR, Mark F.; CONNORS, Barry W.; PARADISO, Michael A. Neuroscience: exploring the brain. 4. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2017.