Segundo Terry Eagleton, a Teoria Literária não é um conjunto fixo de regras nem um manual neutro para identificar o que é ou não literatura, mas um campo de reflexão crítica que investiga como certos textos passam a ser considerados literários e quais valores, interesses e ideologias sustentam essa classificação. Para Eagleton, a literatura não se define por propriedades intrínsecas e universais do texto, como a linguagem “especial” ou a ficção, mas pelo modo como a sociedade lê, valoriza e utiliza determinados escritos em contextos históricos específicos (Eagleton, 2006).
Nesse sentido, a teoria literária surge como uma prática crítica que questiona as noções naturalizadas de gosto, cânone e valor estético, mostrando que elas estão ligadas a relações de poder e a disputas sociais. Eagleton argumenta que aquilo que chamamos de literatura é resultado de decisões históricas e institucionais, tomadas por grupos que detêm autoridade cultural, e não de uma essência atemporal da obra. Por isso, a teoria não se limita a interpretar textos, mas interroga os próprios critérios de interpretação, revelando como eles refletem visões de mundo, ideologias e interesses de classe (Eagleton, 2006).
Assim, para Eagleton, fazer teoria literária é compreender a literatura como uma prática social e histórica, inseparável das condições materiais e simbólicas de sua produção e recepção. A teoria, longe de ser um exercício abstrato, torna-se uma forma de crítica cultural, capaz de expor os mecanismos pelos quais a literatura participa da construção de sentidos, identidades e hierarquias na sociedade moderna (Eagleton, 2006).
Para saber mais:
EAGLETON, Terry. Teoria da literatura: uma introdução. São Paulo: Martins Fontes, 2006.