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História das Américas

Um tema contemporâneo central na História das Américas é o debate sobre colonialidade, racismo estrutural e as permanências da escravidão nas sociedades americanas, especialmente na América Latina e no Caribe. A historiografia contemporânea tem demonstrado que a colonização das Américas não foi apenas um evento do passado, encerrado com as independências do século XIX, mas um processo de longa duração que estruturou hierarquias raciais, econômicas e políticas que continuam a organizar a vida social até hoje. A escravidão africana e o extermínio dos povos indígenas foram pilares da formação das sociedades americanas, e seus efeitos persistem nas desigualdades contemporâneas (Mintz; Price, 2003).

Um dos eixos centrais desse tema é o conceito de colonialidade do poder, formulado por Aníbal Quijano. Segundo essa perspectiva, mesmo após o fim do domínio colonial direto, manteve-se uma lógica de classificação racial da população, que associa branquitude ao poder, ao conhecimento e à humanidade plena, enquanto populações negras e indígenas foram historicamente desumanizadas. Essa lógica atravessa instituições, práticas econômicas e narrativas históricas nas Américas (Quijano, 2005).

A História das Américas contemporânea também revisita o papel das resistências negras e indígenas, deslocando o foco das narrativas centradas apenas na dominação europeia. Quilombos, revoltas escravizadas, culturas afro-diaspóricas e cosmologias indígenas são analisados como formas ativas de produção histórica e não como meros efeitos da colonização. Esse movimento historiográfico amplia o entendimento do passado e questiona a ideia de que a modernidade americana foi construída apenas por agentes europeus (Gruzinski, 2014).

Além disso, esse tema dialoga com debates atuais sobre memória, reparação e justiça histórica. Discussões sobre ações afirmativas, reconhecimento de territórios indígenas, políticas de reparação da escravidão e revisão de monumentos coloniais mostram como o passado permanece politicamente ativo no presente. A história, nesse sentido, não é apenas um campo de estudo, mas um espaço de disputa simbólica e social (Trouillot, 1995).

Assim, a análise das permanências coloniais e do racismo estrutural é um tema contemporâneo da História das Américas porque permite compreender como o passado colonial molda desigualdades atuais e como diferentes grupos lutam para reescrever suas histórias e afirmar outras formas de pertencimento e cidadania.

Para saber mais:
GRUZINSKI, Serge. As quatro partes do mundo: história de uma mundialização. Belo Horizonte: UFMG, 2014.
MINTZ, Sidney W.; PRICE, Richard. O nascimento da cultura afro-americana. Rio de Janeiro: Pallas, 2003.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber. Buenos Aires: CLACSO, 2005.
TROUILLOT, Michel-Rolph. Silenciando o passado. São Paulo: Elefante, 2016.
WILLIAMS, Eric. Capitalismo e escravidão. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.



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