história da arte

O Barroco, segundo Gombrich

Segundo Ernst Gombrich, o Barroco não deve ser entendido apenas como um “estilo exagerado”, mas como uma resposta histórica e psicológica a um mundo que havia perdido o equilíbrio clássico herdado do Renascimento. Para ele, a arte sempre nasce do diálogo entre tradição, expectativas do público e necessidades históricas concretas, e é exatamente isso que explica o surgimento do Barroco.

Após a Reforma Protestante, que rejeitou o culto às imagens e questionou a autoridade da Igreja Católica, o catolicismo percebeu que precisava reconquistar os fiéis não pelo argumento racional, mas pela experiência sensível. Gombrich afirma que a Igreja passa então a estimular uma arte capaz de comover, persuadir e envolver emocionalmente, falando diretamente aos sentidos e aos afetos, não apenas ao intelecto. O Barroco nasce, assim, como uma arte da persuasão, profundamente ligada ao espírito da Contrarreforma (GOMBRICH, 2012).

Ao mesmo tempo, o mundo europeu vivia uma profunda crise de certezas. As descobertas científicas de Galileu, Kepler e Newton abalaram a visão medieval de um universo fixo e ordenado; as grandes navegações ampliaram os limites do mundo conhecido; guerras religiosas e conflitos políticos produziram medo, instabilidade e insegurança. Para Gombrich, essa nova experiência do mundo como algo instável, mutável e em constante movimento encontra expressão direta na linguagem barroca, marcada por dinamismo, dramaticidade e tensão (GOMBRICH, 2012).

Por isso, diferentemente da arte renascentista, baseada no equilíbrio, na clareza e na contemplação distanciada, a arte barroca busca romper a distância entre obra e espectador. Igrejas com jogos intensos de luz e sombra, pinturas que parecem ultrapassar a moldura e esculturas em movimento não são meros excessos formais: elas refletem, segundo Gombrich, a tentativa de dar forma sensível a um mundo em conflito, no qual fé, razão e emoção já não convivem de maneira harmoniosa (GOMBRICH, 2012).

Assim, para Gombrich, o Barroco é a arte de um tempo inquieto: uma estética que transforma a instabilidade histórica, religiosa e científica em impacto visual e emocional, buscando não apenas agradar o olhar, mas conquistar a alma do espectador.

Referências bibliográficas:
GOMBRICH, Ernst Hans. A história da arte. Tradução de Álvaro Cabral. 16. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012.



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