Na obra Descolonizando afetos: experimentações sobre outras formas de amar, Geni Núñez, psicóloga e ativista indígena Guarani, parte de sua experiência situada, atravessada pela ancestralidade, pelo território e pela militância, para problematizar as formas hegemônicas de amar naturalizadas pela modernidade ocidental. A autora propõe uma reflexão crítica sobre os modelos afetivos dominantes, especialmente aqueles estruturados pela monogamia compulsória, pela exclusividade e pela lógica da posse, compreendendo-os como dispositivos históricos de controle dos corpos, dos desejos e dos vínculos. Ao tensionar essas normativas, Núñez convida o leitor a imaginar e experimentar modos de amar enraizados em epistemologias indígenas e decoloniais, nas quais o afeto se articula com o coletivo, o cuidado, a reciprocidade e a liberdade, deslocando o amor de uma lógica proprietária para uma ética relacional mais ampla (NÚÑEZ, 2023).
Referências bibliográficas:
NÚÑEZ, Geni. Descolonizando afetos: experimentações sobre outras formas de amar. São Paulo: Planeta, 2023.