divagações

perder as ilusões

Perder as ilusões foi reconhecer que nunca houve nada de concreto. Eu me apaixonei por gestos interpretados, por silêncios preenchidos de sentido, por uma história que existia muito mais dentro de mim do que na realidade. Não foi uma relação que acabou, foi uma fantasia que se desfez, e isso exige admitir o quanto projetei, esperei e alimentei algo que nunca foi compartilhado.

Com o tempo, fui entendendo que esse amor não se sustentava no encontro. Eu amava a ideia, não a presença; o possível, não o real. Perder essa ilusão foi como voltar para mim mesma, recolher a energia que eu havia colocado em alguém que nunca esteve, de fato, ali. Hoje, há um certo vazio, mas também uma maior lucidez. E essa lucidez, embora menos romântica, é mais honesta e me devolve a chance de viver afetos que existam fora da imaginação e não apenas dentro de mim.

Envie para um(a) amigo(a):