Nem tudo o que é possível fazer deve ser feito, nem toda oportunidade que surge merece ser aceita. Há limites que não são barreiras externas, mas escolhas internas, construídas a partir dos valores que sustentam quem eu sou e o modo como quero estar no mundo.
Ao longo do tempo, percebi que os riscos éticos quase nunca se apresentam de forma escancarada. Eles costumam vir disfarçados de urgência, de vantagem, de silêncio conveniente. É justamente aí que preciso parar, respirar e escutar aquilo que me atravessa como desconforto. Quando algo exige trair meus princípios, relativizar o cuidado ou instrumentalizar pessoas, o custo é sempre maior do que qualquer ganho imediato.
Não me expor a um risco ético significa aceitar que nem tudo depende apenas da minha competência técnica ou da minha boa intenção. Envolve reconhecer relações de poder, impactos invisíveis e consequências que não recaem só sobre mim. Escolher o caminho ético, muitas vezes, é escolher o mais difícil, o menos aplaudido, o que exige dizer “não” quando seria mais fácil consentir.
Com o tempo, compreendi que a ética não é um acessório da minha prática ou da minha vida; ela é o chão sobre o qual caminho. Quando abro mão dela, mesmo que em pequenas concessões, perco algo fundamental: a coerência entre o que penso, o que faço e o que sustento como valor. Preservar essa coerência é preservar minha dignidade. Não por medo de punição, mas por compromisso. Comigo, com o outro e com a responsabilidade que existe em cada escolha que faço. Há perdas que ensinam, mas há limites que protegem, e a ética, para mim, é um desses limites inegociáveis.