Recomeçar um trabalho desafiador, para mim, tem começado pelo reconhecimento sincero daquilo que sinto. Antes de qualquer meta ou desempenho, eu me autorizo a entrar em contato com o meu cansaço, com a frustração e até com a vontade de desistir. Não me julgo por estar assim. Pelo contrário, compreendo que essas emoções dizem algo sobre minhas necessidades não atendidas e sobre o peso que venho carregando. Escutar-me com respeito é o primeiro gesto de cuidado e também o primeiro passo do recomeço.
Eu aprendi que não sou uma máquina que pode simplesmente ser religada. Preciso de sentido para continuar. Por isso, ao retomar o trabalho, procuro reconectar-me com o “porquê” do que faço, com os valores que me movem e com aquilo que, em algum momento, fez esse trabalho ter significado para mim. Mesmo que esse sentido esteja esmaecido, ele não desapareceu por completo; ele apenas precisa ser revisitado com delicadeza e honestidade. Recomeçar, então, não é voltar ao ponto inicial, mas seguir a partir de quem eu sou agora.
Na prática, eu me permito ir devagar. Em vez de exigir produtividade imediata, escolho pequenos movimentos possíveis. A abordagem humanista me ensina que o crescimento acontece quando há um ambiente interno de aceitação e segurança, não de cobrança excessiva. Cada tarefa realizada, por menor que seja, é uma forma de reafirmar minha capacidade e minha autonomia. Assim, vou reconstruindo a confiança em mim mesma, passo a passo, respeitando meus limites sem me reduzir a eles.
Também aprendo a me relacionar com o erro de outro modo. O erro deixa de ser prova de fracasso e passa a ser parte do processo de aprendizagem e de atualização do meu potencial. Quando algo não sai como esperado, tento me perguntar o que isso revela sobre mim e sobre o contexto, em vez de usar o erro como arma de autodepreciação. Esse olhar compreensivo me devolve a liberdade de experimentar novamente.
Recomeçar um trabalho difícil, para mim, é um exercício contínuo de autenticidade. É alinhar o que faço com o que sinto e com o que acredito, mesmo que isso implique ajustes, pausas ou mudanças de rota. A abordagem humanista me lembra que eu não preciso me violentar para produzir, nem me anular para seguir em frente. Quando me trato com empatia e respeito, o trabalho deixa de ser apenas uma obrigação e volta a ser um espaço possível de crescimento, expressão e sentido.