Há momentos em que comemos mais do que deveríamos não por fome, mas por contexto e emoção. Festas, encontros familiares e celebrações costumam associar comida a afeto, pertencimento e memória, fazendo com que o limite do corpo seja facilmente ultrapassado. Em outras ocasiões, o excesso surge como resposta ao cansaço, à ansiedade ou à tristeza, quando a comida funciona como conforto imediato. Também há o comer automático do dia a dia: diante da pressa, das telas ou da rotina repetitiva, perdemos a atenção aos sinais de saciedade. Esses episódios não definem quem somos; revelam, antes, a complexa relação entre corpo, emoções e ambiente, lembrando que comer é um ato não apenas biológico, mas profundamente humano.
Segundo Judith Beck, uma estratégia fundamental não é buscar perfeição, mas consciência. Ela orienta que, diante do excesso, a pessoa evite pensamentos do tipo “já estraguei tudo” e, em vez disso, pratique o pensamento útil: observar o que aconteceu, identificar o gatilho e retomar o plano na refeição seguinte. Para Beck, o progresso sustentável nasce da capacidade de aprender com os deslizes, tratando-se com firmeza e gentileza ao mesmo tempo, pois um episódio isolado de comer além do necessário não anula escolhas saudáveis construídas ao longo do tempo (Pense Magro, 2007)
Referências bibliográficas:
BECK, Judith S. Pense magro: a dieta definitiva de Beck. Porto Alegre: Artmed, 2009.