Um tema contemporâneo central da História Mundial é o processo de descolonização e a persistência do colonialismo sob novas formas, frequentemente analisado a partir das noções de neocolonialismo e colonialidade do poder.
A descolonização formal, ocorrida sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, marcou o fim dos impérios coloniais europeus na África, na Ásia e no Caribe. Diversos povos conquistaram a independência política e a soberania estatal, alterando profundamente o mapa geopolítico mundial. No entanto, a historiografia contemporânea destaca que o fim do domínio colonial direto não significou o fim das estruturas de dominação construídas ao longo de séculos de colonização (Hobsbawm, 1995).
Nesse sentido, o debate histórico atual enfatiza que muitas ex-colônias continuaram submetidas a relações de dependência econômica, política e cultural. O controle dos mercados internacionais, a imposição de modelos econômicos externos, a exploração de recursos naturais e a hierarquização racial herdada do período colonial revelam a permanência de assimetrias globais profundas. Esse fenômeno é analisado por autores latino-americanos e africanos como colonialidade, isto é, a continuidade das lógicas coloniais mesmo após a independência formal dos Estados (Quijano, 2005).
A História Mundial contemporânea também aborda como essas heranças coloniais influenciam conflitos atuais, fluxos migratórios, desigualdades sociais e disputas identitárias. Questões como racismo estrutural, fronteiras artificiais impostas no período colonial, guerras civis e crises humanitárias são compreendidas, hoje, como desdobramentos históricos de processos coloniais mal resolvidos (Mbembe, 2018). Assim, o estudo da descolonização e de suas permanências é um tema contemporâneo da história mundial porque permite compreender o presente à luz de processos históricos de longa duração. Ele desloca a narrativa eurocêntrica tradicional e propõe uma leitura crítica das relações globais, evidenciando que o passado colonial continua a moldar o mundo atual.
Para saber mais:
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX (1914–1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
MBEMBE, Achille. Crítica da razão negra. São Paulo: N-1 Edições, 2018.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber. Buenos Aires: CLACSO, 2005.
SAID, Edward. Cultura e imperialismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.