história - literatura brasileira

O que é cultismo? E conceptismo?

Segundo Alfredo Bosi, o Barroco não é apenas um estilo ornamental, mas uma forma específica de relação entre pensamento, linguagem e mundo, marcada pela tensão, pelo contraste e pela busca de complexidade expressiva. Dentro desse contexto, o autor distingue dois modos fundamentais de realização estética: o cultismo e o conceptismo.

O cultismo diz respeito, sobretudo, ao plano da linguagem. Ele se manifesta na escolha vocabular elaborada, no uso intenso de figuras de linguagem, metáforas engenhosas, jogos sonoros e imagens visuais de grande impacto. No cultismo, a atenção do poeta recai sobre o brilho da forma, sobre a capacidade da palavra de surpreender e encantar pelos seus efeitos sensoriais. Trata-se de uma poesia que explora a materialidade da linguagem, valorizando o ornamento verbal como forma de expressão estética e intelectual.

Já o conceptismo, segundo Bosi, atua no plano do pensamento e da argumentação. Ele se caracteriza por uma “agudeza do engenho”, isto é, por uma habilidade racional e discursiva que busca estabelecer relações inesperadas entre ideias, construir raciocínios complexos e explorar paradoxos. No conceptismo, o essencial não é a ornamentação da palavra, mas a arquitetura do argumento, frequentemente estruturado em oposições, contrastes e jogos lógicos. Esse modo de pensar reflete o espírito barroco, marcado pela instabilidade, pela dúvida e pela convivência de contrários.

Bosi enfatiza que cultismo e conceptismo não são formas opostas ou excludentes, mas dimensões complementares da estética barroca. Enquanto o cultismo seduz pela forma sensível da linguagem, o conceptismo desafia o leitor pelo encadeamento intelectual das ideias. Ambos expressam o gosto barroco pelo excesso, pela complexidade e pela recusa da simplicidade direta, seja no modo de dizer, seja no modo de pensar.

Referências bibliográficas:
BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1994.



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