A diferença entre estado mental e estado fisiológico está no nível de análise a partir do qual cada um é compreendido, embora ambos estejam profundamente interligados.
O estado fisiológico refere-se aos processos biológicos e orgânicos do corpo, especialmente ao funcionamento do sistema nervoso, dos neurônios, dos neurotransmissores, dos hormônios, da atividade cerebral, do sistema endócrino e dos mecanismos corporais em geral. Trata-se do nível material e biológico da experiência humana: impulsos nervosos, atividade elétrica cerebral, circulação sanguínea, batimentos cardíacos, respiração, liberação hormonal, entre outros processos físicos mensuráveis. É o funcionamento do corpo enquanto organismo.
Já o estado mental diz respeito às experiências subjetivas e psíquicas do sujeito, como pensamentos, emoções, sentimentos, percepções, memórias, desejos, intenções, consciência e estados de humor. Ele pertence ao plano da vivência psicológica, da experiência interna e simbólica, isto é, da forma como o sujeito sente, interpreta e significa o mundo. O estado mental envolve linguagem, significado, memória, identidade e consciência, dimensões que não se reduzem diretamente a processos físicos, embora dependam deles.
Assim, enquanto o estado fisiológico pertence ao plano biológico-material, o estado mental pertence ao plano psicológico-subjetivo. Eles não são separados, mas articulados: todo estado mental possui uma base fisiológica, e todo estado fisiológico pode repercutir no estado mental. No entanto, não são equivalentes, porque o mental envolve sentido, significado, experiência e subjetividade, enquanto o fisiológico envolve processos orgânicos e funcionais do corpo. Essa distinção permite compreender o ser humano de forma integrada, sem reduzi-lo nem ao corpo puro nem à mente isolada (LURIA, 1981).
Para saber mais:
LURIA, Alexander Romanovich. Fundamentos de neuropsicologia. São Paulo: Edusp, 1981.