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Qual a importância de Golgi e Ramón y Cajal para as neurociências?

A importância de Camillo Golgi e Santiago Ramón y Cajal para as neurociências é fundacional, pois eles foram responsáveis por estabelecer as bases científicas da compreensão moderna da estrutura e do funcionamento do sistema nervoso.

Golgi teve um papel decisivo ao desenvolver, em 1873, a chamada “reação negra” (método de coloração com nitrato de prata), que permitiu, pela primeira vez, visualizar neurônios inteiros ao microscópio, com seus corpos celulares, dendritos e axônios. Antes dessa técnica, o tecido nervoso era praticamente indistinguível, aparecendo como uma massa confusa de fibras. O método de Golgi tornou possível observar a organização microscópica do cérebro e abriu caminho para o estudo científico da anatomia neuronal. Sem esse avanço técnico, o desenvolvimento da neurociência moderna simplesmente não teria sido possível.

Cajal, por sua vez, utilizou o método de Golgi para desenvolver uma interpretação completamente nova do sistema nervoso. Enquanto Golgi defendia a teoria reticular, segundo a qual o cérebro seria uma rede contínua de fibras fundidas, Cajal demonstrou que o sistema nervoso é formado por células individualizadas, os neurônios, que se comunicam entre si, mas não se fundem estruturalmente. Essa concepção ficou conhecida como a doutrina do neurônio, que estabelece que o neurônio é a unidade estrutural e funcional do sistema nervoso. Essa ideia transformou radicalmente a neurociência, pois permitiu compreender o funcionamento cerebral como resultado da comunicação entre células especializadas, e não como uma massa contínua indiferenciada.

Assim, Golgi forneceu a ferramenta técnica que tornou visível o sistema nervoso, e Cajal construiu a interpretação teórica que deu sentido científico a essa visualização. Juntos, eles lançaram as bases da neuroanatomia moderna, da neurofisiologia e da neurociência contemporânea. Por isso, são considerados os pais fundadores da neurociência moderna, tendo ambos recebido o Prêmio Nobel de Medicina em 1906, não por defenderem a mesma teoria, mas por terem sido decisivos na construção do conhecimento científico sobre o cérebro e o sistema nervoso.

Para saber mais:
KANDEL, Eric R.; SCHWARTZ, James H.; JESSELL, Thomas M. Princípios de neurociência. 4. ed. São Paulo: Manole, 2003.



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