Alexander Luria foi um psicólogo, médico e neurocientista soviético, considerado um dos fundadores da neuropsicologia moderna. Integrante da escola histórico-cultural soviética, atuou em estreita colaboração com Lev Vygotsky e desenvolveu uma concepção segundo a qual as funções psicológicas superiores (como linguagem, memória, atenção, pensamento e consciência) são construídas social e culturalmente, e não apenas determinadas por fatores biológicos. Para Luria, o cérebro não funciona por áreas isoladas e independentes, mas por sistemas funcionais complexos, nos quais diferentes regiões cerebrais atuam de forma integrada na produção do comportamento humano e da vida mental (LURIA, 1981).
Seu trabalho inovou ao articular neurologia, psicologia, linguagem e cultura, mostrando que as funções mentais são resultado da interação entre o cérebro, a história do sujeito e o contexto social. Luria desenvolveu métodos clínicos de investigação neuropsicológica que buscavam compreender não apenas a lesão cerebral em si, mas seus efeitos na organização da personalidade, da linguagem e da consciência do indivíduo. Diferentemente de abordagens puramente localizacionistas, ele defendia que uma função psicológica não está “localizada” em um único ponto do cérebro, mas distribuída em redes funcionais dinâmicas, organizadas conforme a atividade e a experiência do sujeito.
Assim, Alexander Luria construiu uma visão profundamente humanizada da neurociência, na qual o ser humano não é reduzido a processos biológicos, mas compreendido como um sujeito histórico, social e cultural, cuja mente é produto da relação entre corpo, linguagem, cultura e experiência. Sua obra teve impacto decisivo na psicologia, na educação, na neurociência e na clínica, consolidando uma compreensão integrada do funcionamento mental humano, que articula cérebro, cultura e sociedade de forma indissociável (LURIA, 1981).
Para saber mais:
LURIA, Alexander Romanovich. Fundamentos de neuropsicologia. São Paulo: Edusp, 1981.