Eu voltei a ser vegana (não só vegetariana), e essa decisão não nasceu de um único motivo, mas de um conjunto profundo de sentidos que atravessam quem eu sou, o que eu acredito e aquilo que eu quero sustentar na minha vida. Não é apenas uma mudança alimentar, é uma escolha ética, espiritual e existencial. Voltei a fazer essa escolha para proteger os animais, para respeitar o direito que eles têm à vida, à dignidade e ao bem-estar, reconhecendo que nenhuma existência deve ser reduzida a objeto de consumo ou exploração. Há algo em mim que não consegue mais dissociar cuidado, justiça e compaixão, e ser vegana, para mim, é uma forma concreta de viver esses valores no cotidiano.
Mas essa decisão também tem a ver comigo, com o meu corpo e com a minha saúde, com o desejo de viver de forma mais consciente, mais leve e mais alinhada com aquilo que acredito que me faz bem. Cuidar de mim também é parte dessa escolha, é uma forma de respeito ao meu próprio corpo e à minha própria vida, como se tudo isso fizesse parte de uma mesma ética do cuidado que se estende do outro para mim mesma.
E, talvez, o motivo mais íntimo de todos: eu fiz uma promessa com aquilo que há de divino neste mundo, do jeito que consigo compreender o sagrado, pedindo pela saúde da minha mãe. Essa promessa é também uma forma de me conectar com aquilo que o ser humano sempre buscou no desconhecido, com esse movimento profundo de tentar se orientar na escuridão em que nasceu e que permanece, em grande parte, sem respostas. É como se, no fundo, eu ainda fosse aquela menina que fazia preces às estrelas para que a minha mãe vivesse para sempre. Ser vegana, hoje, é oração, é compromisso, é fé, é vínculo com o invisível, é tentativa de dar sentido ao que não se explica, um gesto simples que carrega amor, esperança e transcendência todos os dias.