livros utilizados

paixão por bibliotecas

Desde pequena, a coisa que eu mais gosto de fazer é passar o meu tempo livre em bibliotecas. Sempre houve algo nesse espaço que me acolheu antes mesmo de eu saber explicar o porquê. O silêncio, o cheiro dos livros, as mesas, as estantes, a sensação de que ali existia um mundo inteiro esperando ser descoberto, tudo isso me dava uma forma de pertencimento que eu não encontrava em muitos outros lugares. A biblioteca nunca foi só um lugar de estudo; foi abrigo e companhia.

Cresci associando a biblioteca a um tipo de liberdade muito particular: a liberdade de pensar, de imaginar, de me deslocar sem sair do lugar. Era ali que eu aprendia a ficar comigo mesma sem solidão, a transformar o tempo em permanência, a fazer do silêncio uma linguagem. Enquanto outras crianças buscavam barulho e movimento, eu encontrava conforto na quietude e na presença silenciosa dos livros, como se cada estante fosse uma promessa de mundo possível.

Com o tempo, isso não mudou, apenas se aprofundou. Continuo indo às bibliotecas não apenas para ler, mas para existir de um modo mais inteiro. Elas seguem sendo espaços onde eu me organizo por dentro, onde a mente desacelera e o pensamento ganha corpo. Estar em uma biblioteca, para mim, ainda é voltar para casa. É reencontrar a criança que descobriu cedo que o conhecimento também pode ser um lugar de afeto, e que o silêncio, quando é escolhido, pode ser profundamente habitável.

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