As células da glia (ou neuroglia) são células do sistema nervoso que não têm como função principal a transmissão de impulsos nervosos, mas são essenciais para a manutenção, proteção, nutrição e funcionamento dos neurônios. Durante muito tempo, elas foram consideradas apenas células de suporte, porém hoje se sabe que desempenham papéis ativos e fundamentais na organização, no funcionamento e na plasticidade do sistema nervoso. Sem as células gliais, os neurônios não conseguiriam sobreviver nem funcionar adequadamente.
Do ponto de vista funcional, as células da glia atuam na nutrição dos neurônios, no controle do ambiente químico ao redor das células nervosas, na regulação dos neurotransmissores, na defesa imunológica do sistema nervoso e na formação da mielina (substância que reveste os axônios e aumenta a velocidade de condução dos impulsos elétricos). Elas também participam da formação das sinapses, da organização das redes neurais e da regeneração tecidual em casos de lesão. Isso mostra que a glia não é passiva, mas ativamente envolvida no processamento neural.
Entre os principais tipos de células gliais estão os astrócitos, que regulam o meio químico e nutrem os neurônios; os oligodendrócitos, responsáveis pela mielinização no sistema nervoso central; a microglia, que atua na defesa imunológica; e as células de Schwann, que realizam a mielinização no sistema nervoso periférico. Assim, as células da glia formam uma rede de suporte funcional e regulador que torna possível a atividade neural. Elas garantem que os neurônios possam exercer suas funções de comunicação, processamento e integração de informações, sendo, portanto, tão essenciais quanto os próprios neurônios para o funcionamento do sistema nervoso (KANDEL; SCHWARTZ; JESSELL, 2003).
Referência:
KANDEL, Eric R.; SCHWARTZ, James H.; JESSELL, Thomas M. Princípios de neurociência. 4. ed. São Paulo: Manole, 2003.