A neuroanatomofisiologia é o campo do conhecimento que integra a neuroanatomia e a neurofisiologia, estudando, de forma articulada, a estrutura do sistema nervoso e o seu funcionamento. Enquanto a neuroanatomia se ocupa da organização morfológica do sistema nervoso – cérebro, medula espinhal, nervos, regiões corticais, núcleos, vias e conexões -, a neurofisiologia investiga os processos funcionais que ocorrem nessas estruturas, como a transmissão dos impulsos nervosos, a atividade elétrica dos neurônios, a comunicação sináptica e os mecanismos neuroquímicos envolvidos no funcionamento cerebral. A neuroanatomofisiologia, portanto, compreende o sistema nervoso como uma unidade estrutural e funcional inseparável.
Nesse campo, parte-se do princípio de que estrutura e função são indissociáveis: nenhuma função psíquica ou comportamental pode ser compreendida sem referência às estruturas neurais que a sustentam, e nenhuma estrutura pode ser plenamente entendida sem considerar sua função. Assim, processos como percepção, memória, linguagem, emoção, movimento, aprendizagem e consciência são analisados a partir da relação entre organização anatômica e dinâmica fisiológica. O cérebro não é visto como um conjunto de áreas isoladas, mas como um sistema integrado de redes funcionais, em que diferentes regiões atuam de forma coordenada na produção da experiência humana.
Dessa forma, a neuroanatomofisiologia oferece uma compreensão integrada do ser humano, superando a separação entre corpo e mente. Ela permite compreender que os fenômenos psicológicos possuem base biológica concreta, mas não se reduzem a ela, pois emergem de sistemas complexos que articulam estrutura cerebral, funcionamento fisiológico e experiência subjetiva. Trata-se, portanto, de uma abordagem fundamental para as neurociências, a psicologia, a educação e a saúde, por permitir uma leitura profunda do ser humano como unidade biológica, psíquica e funcional.
Para saber mais:
KANDEL, Eric R.; SCHWARTZ, James H.; JESSELL, Thomas M. Princípios de neurociência. 4. ed. São Paulo: Manole, 2003.