neuropsicologia - nutrição

A saúde do cérebro

Quando pensamos na saúde do cérebro, a partir da neurociência, é importante entender que ele não adoece apenas por doenças específicas, mas também por hábitos cotidianos que, silenciosamente, comprometem seu funcionamento. Esses “inimigos do cérebro” não costumam agir de forma imediata, mas vão produzindo efeitos cumulativos sobre a memória, a atenção, o humor e até a capacidade de tomada de decisão.

O sedentarismo é um dos principais deles. A ausência de movimento reduz a circulação sanguínea cerebral e a liberação de substâncias importantes para a plasticidade neural, como o BDNF. A prática regular de atividade física, por outro lado, está associada à melhora da cognição e à proteção contra declínios cognitivos. Em paralelo, o excesso de tempo em telas, especialmente de forma passiva e fragmentada, pode prejudicar a capacidade de concentração e aumentar a sensação de fadiga mental. O cérebro passa a operar em um modo mais reativo, com dificuldade de sustentar atenção profunda.

Outro fator crítico é a privação de sono. Dormir mal ou menos do que o necessário interfere diretamente em processos essenciais, como a consolidação da memória e a regulação emocional. Durante o sono, o cérebro realiza uma espécie de “limpeza”, eliminando resíduos metabólicos. A falta desse processo está associada a prejuízos cognitivos e maior risco de transtornos como a ansiedade e a depressão.

A alimentação também desempenha um papel importante. Dietas ricas em ultraprocessados, açúcares e gorduras de baixa qualidade podem favorecer processos inflamatórios no organismo, que impactam diretamente o cérebro. Em contrapartida, uma alimentação equilibrada contribui para o funcionamento adequado dos neurotransmissores e da energia cerebral.

O estresse crônico, como já conversamos, é outro grande inimigo. Quando constante, ele mantém o organismo em estado de alerta, elevando níveis de cortisol e prejudicando áreas importantes como o hipocampo, relacionado à memória. Além disso, o isolamento social e a falta de vínculos significativos também afetam profundamente o cérebro, já que somos biologicamente preparados para a convivência.

Em síntese, o cérebro precisa de movimento, descanso, nutrição adequada, estímulos de qualidade e relações humanas para funcionar bem. Pequenas mudanças no cotidiano, como caminhar regularmente, estabelecer limites para o uso de telas, cuidar do sono e cultivar conexões, podem ter um impacto profundo e duradouro na saúde mental e cognitiva.

Referências bibliográficas:
LENT, Roberto. Cem bilhões de neurônios? Conceitos fundamentais de neurociência. Rio de Janeiro: Atheneu, 2010.
KANDEL, Eric et al. Princípios de neurociências. Porto Alegre: AMGH, 2014



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