{"id":2190,"date":"2026-05-23T11:50:05","date_gmt":"2026-05-23T14:50:05","guid":{"rendered":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=2190"},"modified":"2026-05-23T11:50:06","modified_gmt":"2026-05-23T14:50:06","slug":"o-que-e-psicologia-social-critica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=2190","title":{"rendered":"O que \u00e9 psicologia social cr\u00edtica?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A psicologia social cr\u00edtica \u00e9 uma vertente da psicologia social que busca compreender o ser humano a partir de sua realidade hist\u00f3rica, social, cultural e pol\u00edtica. Ela parte da ideia de que o sujeito n\u00e3o pode ser entendido de maneira isolada, como se seus pensamentos, emo\u00e7\u00f5es e comportamentos fossem apenas resultado de caracter\u00edsticas individuais. Pelo contr\u00e1rio, a psicologia social cr\u00edtica entende que a subjetividade \u00e9 constru\u00edda nas rela\u00e7\u00f5es sociais e nas condi\u00e7\u00f5es concretas de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa perspectiva surgiu como uma cr\u00edtica \u00e0s abordagens tradicionais da psicologia social, especialmente \u00e0s que possu\u00edam forte influ\u00eancia norte-americana e tend\u00eancia individualista. Muitas dessas abordagens concentravam-se em explicar comportamentos por meio de experimentos e processos internos do indiv\u00edduo, sem considerar suficientemente as desigualdades sociais, as rela\u00e7\u00f5es de poder e os contextos hist\u00f3ricos. A psicologia social cr\u00edtica questiona justamente essa neutralidade aparente da ci\u00eancia psicol\u00f3gica, defendendo que toda produ\u00e7\u00e3o de conhecimento est\u00e1 inserida em uma realidade social e pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil e na Am\u00e9rica Latina, a psicologia social cr\u00edtica ganhou for\u00e7a principalmente a partir das d\u00e9cadas de 1970 e 1980, em um contexto marcado por desigualdades sociais, pobreza e ditaduras militares. Nesse cen\u00e1rio, psic\u00f3logos passaram a questionar uma pr\u00e1tica psicol\u00f3gica voltada apenas \u00e0s elites e distante dos problemas sociais da popula\u00e7\u00e3o. Entre os principais nomes dessa perspectiva est\u00e1 Silvia Lane, considerada uma das fundadoras da Psicologia Social Cr\u00edtica brasileira. Para Lane, a psicologia deveria assumir um compromisso \u00e9tico e pol\u00edtico com a transforma\u00e7\u00e3o social e com a emancipa\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A psicologia social cr\u00edtica compreende o sujeito como um ser hist\u00f3rico, atravessado por m\u00faltiplas determina\u00e7\u00f5es, como classe social, ra\u00e7a, g\u00eanero, trabalho, cultura e condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. Isso significa que o sofrimento ps\u00edquico n\u00e3o \u00e9 visto apenas como algo individual ou biol\u00f3gico, mas tamb\u00e9m como express\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es sociais. Por exemplo, sentimentos de ang\u00fastia, exclus\u00e3o ou inseguran\u00e7a podem estar relacionados ao desemprego, \u00e0 viol\u00eancia, ao preconceito ou \u00e0s desigualdades estruturais da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro aspecto importante dessa perspectiva \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia cr\u00edtica. A psicologia social cr\u00edtica procura compreender como as pessoas internalizam valores, ideologias e formas de pensar produzidas socialmente, mas tamb\u00e9m como podem desenvolver consci\u00eancia sobre sua realidade e atuar na transforma\u00e7\u00e3o dela. Nesse sentido, aproxima-se de autores como Paulo Freire, que defendia a reflex\u00e3o cr\u00edtica como caminho para a liberta\u00e7\u00e3o e para a constru\u00e7\u00e3o da autonomia humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, a psicologia social cr\u00edtica possui forte atua\u00e7\u00e3o em pol\u00edticas p\u00fablicas, movimentos sociais, escolas, servi\u00e7os de sa\u00fade e assist\u00eancia social. Sua pr\u00e1tica busca promover inclus\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o coletiva, fortalecimento de v\u00ednculos comunit\u00e1rios e defesa dos direitos humanos. Mais do que adaptar o indiv\u00edduo \u00e0s condi\u00e7\u00f5es existentes, essa abordagem procura problematizar as estruturas sociais que produzem sofrimento e exclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, a psicologia social cr\u00edtica pode ser entendida como uma perspectiva comprometida com a compreens\u00e3o ampla do ser humano e com a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa. Ela prop\u00f5e um olhar sens\u00edvel \u00e0s desigualdades sociais e reconhece que compreender o sujeito exige compreender tamb\u00e9m o mundo em que ele vive.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><br>LANE, Silvia Tatiana Maurer. <em><a href=\"https:\/\/a.co\/d\/0e4Cm6Am\">O que \u00e9 Psicologia Social<\/a><\/em>. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 2006.<br>BOCK, Ana Merc\u00eas Bahia. <em><a href=\"https:\/\/a.co\/d\/08MxiOIp\">Psicologia S\u00f3cio-Hist\u00f3rica<\/a><\/em>. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2001.<br>SAWAIA, Bader Burihan (org.). <em><a href=\"https:\/\/a.co\/d\/0gOJA9uQ\">As artimanhas da exclus\u00e3o: an\u00e1lise psicossocial e \u00e9tica da desigualdade social<\/a><\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2014.<br>FREIRE, Paulo. <em><a href=\"https:\/\/a.co\/d\/0cHsaqrQ\">Pedagogia do Oprimido<\/a><\/em>. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A psicologia social cr\u00edtica \u00e9 uma vertente da psicologia social que busca compreender o ser humano a partir de sua realidade hist\u00f3rica, social, cultural e pol\u00edtica. Ela parte da ideia de que o sujeito n\u00e3o pode ser entendido de maneira isolada, como se seus pensamentos, emo\u00e7\u00f5es e comportamentos fossem apenas resultado de caracter\u00edsticas individuais. Pelo contr\u00e1rio, a psicologia social cr\u00edtica entende que a subjetividade \u00e9 constru\u00edda nas rela\u00e7\u00f5es sociais e nas condi\u00e7\u00f5es concretas de vida. Essa perspectiva surgiu como uma cr\u00edtica \u00e0s abordagens tradicionais da psicologia social, especialmente \u00e0s que possu\u00edam forte influ\u00eancia norte-americana e tend\u00eancia individualista. Muitas dessas abordagens concentravam-se em explicar comportamentos por meio de experimentos e processos internos do indiv\u00edduo, sem considerar suficientemente as desigualdades sociais, as rela\u00e7\u00f5es de poder e os contextos hist\u00f3ricos. A psicologia social cr\u00edtica questiona justamente essa neutralidade aparente da ci\u00eancia psicol\u00f3gica, defendendo que toda produ\u00e7\u00e3o de conhecimento est\u00e1 inserida em uma realidade social e pol\u00edtica. No Brasil e na Am\u00e9rica Latina, a psicologia social cr\u00edtica ganhou for\u00e7a principalmente a partir das d\u00e9cadas de 1970 e 1980, em um contexto marcado por desigualdades sociais, pobreza e ditaduras militares. Nesse cen\u00e1rio, psic\u00f3logos passaram a questionar uma pr\u00e1tica psicol\u00f3gica voltada apenas \u00e0s elites e distante dos problemas sociais da popula\u00e7\u00e3o. Entre os principais nomes dessa perspectiva est\u00e1 Silvia Lane, considerada uma das fundadoras da Psicologia Social Cr\u00edtica brasileira. Para Lane, a psicologia deveria assumir um compromisso \u00e9tico e pol\u00edtico com a transforma\u00e7\u00e3o social e com a emancipa\u00e7\u00e3o humana. A psicologia social cr\u00edtica compreende o sujeito como um ser hist\u00f3rico, atravessado por m\u00faltiplas determina\u00e7\u00f5es, como classe social, ra\u00e7a, g\u00eanero, trabalho, cultura e condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. Isso significa que o sofrimento ps\u00edquico n\u00e3o \u00e9 visto apenas como algo individual ou biol\u00f3gico, mas tamb\u00e9m como express\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es sociais. Por exemplo, sentimentos de ang\u00fastia, exclus\u00e3o ou inseguran\u00e7a podem estar relacionados ao desemprego, \u00e0 viol\u00eancia, ao preconceito ou \u00e0s desigualdades estruturais da sociedade. Outro aspecto importante dessa perspectiva \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia cr\u00edtica. A psicologia social cr\u00edtica procura compreender como as pessoas internalizam valores, ideologias e formas de pensar produzidas socialmente, mas tamb\u00e9m como podem desenvolver consci\u00eancia sobre sua realidade e atuar na transforma\u00e7\u00e3o dela. Nesse sentido, aproxima-se de autores como Paulo Freire, que defendia a reflex\u00e3o cr\u00edtica como caminho para a liberta\u00e7\u00e3o e para a constru\u00e7\u00e3o da autonomia humana. Al\u00e9m disso, a psicologia social cr\u00edtica possui forte atua\u00e7\u00e3o em pol\u00edticas p\u00fablicas, movimentos sociais, escolas, servi\u00e7os de sa\u00fade e assist\u00eancia social. Sua pr\u00e1tica busca promover inclus\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o coletiva, fortalecimento de v\u00ednculos comunit\u00e1rios e defesa dos direitos humanos. Mais do que adaptar o indiv\u00edduo \u00e0s condi\u00e7\u00f5es existentes, essa abordagem procura problematizar as estruturas sociais que produzem sofrimento e exclus\u00e3o. Assim, a psicologia social cr\u00edtica pode ser entendida como uma perspectiva comprometida com a compreens\u00e3o ampla do ser humano e com a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa. Ela prop\u00f5e um olhar sens\u00edvel \u00e0s desigualdades sociais e reconhece que compreender o sujeito exige compreender tamb\u00e9m o mundo em que ele vive. Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas:LANE, Silvia Tatiana Maurer. O que \u00e9 Psicologia Social. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 2006.BOCK, Ana Merc\u00eas Bahia. Psicologia S\u00f3cio-Hist\u00f3rica. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2001.SAWAIA, Bader Burihan (org.). As artimanhas da exclus\u00e3o: an\u00e1lise psicossocial e \u00e9tica da desigualdade social. Petr\u00f3polis: Vozes, 2014.FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[333],"tags":[334,335],"class_list":["post-2190","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-psicologia-social","tag-paulo-freire","tag-silvia-lane"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2190","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2190"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2190\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2191,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2190\/revisions\/2191"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2190"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2190"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2190"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}