{"id":1856,"date":"2026-04-07T10:17:51","date_gmt":"2026-04-07T13:17:51","guid":{"rendered":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1856"},"modified":"2026-04-07T10:18:38","modified_gmt":"2026-04-07T13:18:38","slug":"quais-as-diferencas-entre-fato-social-geral-externo-e-coercitivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1856","title":{"rendered":"Como podemos caracterizar o fato social?"},"content":{"rendered":"\n<p>Para \u00c9mile Durkheim, o<strong> fato social<\/strong> \u00e9 toda maneira de agir, pensar e sentir que \u00e9 <strong>coletiva<\/strong>, independente do indiv\u00edduo e que exerce influ\u00eancia sobre ele. Esses fatos n\u00e3o pertencem \u00e0 psicologia individual, mas \u00e0 <strong>pr\u00f3pria estrutura da sociedade<\/strong>, sendo produzidos historicamente e compartilhados por um grupo social. A partir disso, Durkheim define tr\u00eas caracter\u00edsticas fundamentais do fato social: ele \u00e9 geral, externo e coercitivo (DURKHEIM, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>fato social \u00e9 geral <\/strong>porque n\u00e3o pertence a uma pessoa espec\u00edfica, mas \u00e9 <strong>comum \u00e0 maioria dos membros da sociedade<\/strong>. Ele se manifesta como algo coletivo, difundido socialmente, como a l\u00edngua, as leis, os costumes, as normas morais, as regras escolares e os valores culturais. Mesmo que os indiv\u00edduos possam discordar ou resistir a esses padr\u00f5es, eles continuam existindo como formas sociais amplamente compartilhadas, que estruturam a vida coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele \u00e9 <strong>externo porque existe fora do indiv\u00edduo<\/strong>, independentemente de sua vontade ou consci\u00eancia. A pessoa j\u00e1 nasce em uma sociedade organizada por regras, normas, institui\u00e7\u00f5es e valores que n\u00e3o foram criados por ela, mas que j\u00e1 estavam constitu\u00eddos antes de sua exist\u00eancia. A l\u00edngua, o sistema jur\u00eddico, a escola, a religi\u00e3o e os costumes s\u00e3o realidades sociais que se imp\u00f5em ao sujeito como estruturas objetivas, anteriores e exteriores \u00e0 sua experi\u00eancia individual.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, o fato social \u00e9 coercitivo porque exerce press\u00e3o e poder de imposi\u00e7\u00e3o sobre os indiv\u00edduos. Essa coer\u00e7\u00e3o pode ser expl\u00edcita, como no caso das leis e puni\u00e7\u00f5es formais, ou impl\u00edcita, como no medo da reprova\u00e7\u00e3o social, do julgamento moral ou da exclus\u00e3o do grupo. Mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 san\u00e7\u00e3o legal, existe san\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, social e cultural, o que faz com que os indiv\u00edduos se conformem, em maior ou menor grau, \u00e0s normas coletivas. Assim, o fato social orienta comportamentos, regula condutas e organiza a vida social, n\u00e3o por escolha puramente individual, mas por for\u00e7a da pr\u00f3pria estrutura da sociedade (DURKHEIM, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Para saber mais:<\/strong><br>DURKHEIM, \u00c9mile. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/06JJolw3\">As regras do m\u00e9todo sociol\u00f3gico<\/a>. 3. ed. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para \u00c9mile Durkheim, o fato social \u00e9 toda maneira de agir, pensar e sentir que \u00e9 coletiva, independente do indiv\u00edduo e que exerce influ\u00eancia sobre ele. Esses fatos n\u00e3o pertencem \u00e0 psicologia individual, mas \u00e0 pr\u00f3pria estrutura da sociedade, sendo produzidos historicamente e compartilhados por um grupo social. A partir disso, Durkheim define tr\u00eas caracter\u00edsticas fundamentais do fato social: ele \u00e9 geral, externo e coercitivo (DURKHEIM, 2007). O fato social \u00e9 geral porque n\u00e3o pertence a uma pessoa espec\u00edfica, mas \u00e9 comum \u00e0 maioria dos membros da sociedade. Ele se manifesta como algo coletivo, difundido socialmente, como a l\u00edngua, as leis, os costumes, as normas morais, as regras escolares e os valores culturais. Mesmo que os indiv\u00edduos possam discordar ou resistir a esses padr\u00f5es, eles continuam existindo como formas sociais amplamente compartilhadas, que estruturam a vida coletiva. Ele \u00e9 externo porque existe fora do indiv\u00edduo, independentemente de sua vontade ou consci\u00eancia. A pessoa j\u00e1 nasce em uma sociedade organizada por regras, normas, institui\u00e7\u00f5es e valores que n\u00e3o foram criados por ela, mas que j\u00e1 estavam constitu\u00eddos antes de sua exist\u00eancia. A l\u00edngua, o sistema jur\u00eddico, a escola, a religi\u00e3o e os costumes s\u00e3o realidades sociais que se imp\u00f5em ao sujeito como estruturas objetivas, anteriores e exteriores \u00e0 sua experi\u00eancia individual. Por fim, o fato social \u00e9 coercitivo porque exerce press\u00e3o e poder de imposi\u00e7\u00e3o sobre os indiv\u00edduos. Essa coer\u00e7\u00e3o pode ser expl\u00edcita, como no caso das leis e puni\u00e7\u00f5es formais, ou impl\u00edcita, como no medo da reprova\u00e7\u00e3o social, do julgamento moral ou da exclus\u00e3o do grupo. Mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 san\u00e7\u00e3o legal, existe san\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, social e cultural, o que faz com que os indiv\u00edduos se conformem, em maior ou menor grau, \u00e0s normas coletivas. Assim, o fato social orienta comportamentos, regula condutas e organiza a vida social, n\u00e3o por escolha puramente individual, mas por for\u00e7a da pr\u00f3pria estrutura da sociedade (DURKHEIM, 2007). Para saber mais:DURKHEIM, \u00c9mile. As regras do m\u00e9todo sociol\u00f3gico. 3. ed. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2007.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[217,218],"class_list":["post-1856","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sociologia","tag-emile-durkheim","tag-fato-social"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1856","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1856"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1856\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1858,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1856\/revisions\/1858"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1856"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1856"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1856"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}