{"id":1675,"date":"2026-04-07T10:17:51","date_gmt":"2026-04-07T13:17:51","guid":{"rendered":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1675"},"modified":"2026-04-07T10:18:21","modified_gmt":"2026-04-07T13:18:21","slug":"como-chomsky-concebe-a-linguagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1675","title":{"rendered":"Como Chomsky concebe a linguagem?"},"content":{"rendered":"\n<p>Noam Chomsky concebe a linguagem como uma<strong> capacidade mental inata<\/strong>, pr\u00f3pria da esp\u00e9cie humana, profundamente enraizada na estrutura biol\u00f3gica e cognitiva do c\u00e9rebro. Para ele, a linguagem n\u00e3o \u00e9 primordialmente um produto da cultura ou da intera\u00e7\u00e3o social, mas uma faculdade natural do ser humano, que se desenvolve a partir de disposi\u00e7\u00f5es internas j\u00e1 presentes desde o nascimento. Assim, os indiv\u00edduos n\u00e3o aprendem a linguagem apenas por imita\u00e7\u00e3o ou condicionamento, mas ativam um aparato cognitivo pr\u00e9-existente que lhes permite adquirir qualquer l\u00edngua humana a partir de est\u00edmulos limitados do ambiente. Essa concep\u00e7\u00e3o rompe com as abordagens empiristas e behavioristas, instaurando uma perspectiva inatista e mentalista da linguagem, na qual o foco se desloca da experi\u00eancia externa para as estruturas internas da mente (Chomsky, 1971; 1998).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse horizonte te\u00f3rico, Chomsky formula a teoria da gram\u00e1tica gerativa, segundo a qual a linguagem consiste em um sistema de regras e princ\u00edpios abstratos internalizados, capazes de gerar um n\u00famero infinito de enunciados a partir de um conjunto finito de elementos. O objetivo da lingu\u00edstica, portanto, n\u00e3o seria apenas descrever frases produzidas socialmente, mas explicar os mecanismos mentais que tornam essa produ\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. A distin\u00e7\u00e3o entre compet\u00eancia e desempenho expressa essa vis\u00e3o: a compet\u00eancia refere-se ao conhecimento lingu\u00edstico internalizado e inconsciente que o falante possui, enquanto o desempenho corresponde ao uso concreto da linguagem, atravessado por fatores como mem\u00f3ria, aten\u00e7\u00e3o, contexto e limita\u00e7\u00f5es cognitivas. O verdadeiro objeto cient\u00edfico da lingu\u00edstica, nesse sentido, passa a ser a estrutura mental da linguagem, e n\u00e3o seu uso social imediato (Chomsky, 1971).<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de gram\u00e1tica universal sintetiza essa concep\u00e7\u00e3o, ao afirmar que todas as l\u00ednguas humanas compartilham princ\u00edpios estruturais profundos comuns, derivados da pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o cognitiva da mente humana. As diferen\u00e7as entre as l\u00ednguas seriam, assim, varia\u00e7\u00f5es superficiais de par\u00e2metros de um mesmo sistema universal. Com isso, Chomsky desloca o centro explicativo da linguagem da sociedade para o sujeito cognoscente: a linguagem deixa de ser entendida como uma constru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica coletiva e passa a ser compreendida como uma propriedade biol\u00f3gica da esp\u00e9cie humana. Sua teoria funda uma lingu\u00edstica de base cognitiva, racionalista e naturalista, na qual estudar a linguagem \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, estudar a pr\u00f3pria estrutura da mente humana (Chomsky, 1998; Lyons, 1981).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Para saber mais:<\/strong><br>CHOMSKY, Noam. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/00bIyZwK\">Lingu\u00edstica cartesiana: um cap\u00edtulo da hist\u00f3ria do pensamento racionalista<\/a>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1971.<br>CHOMSKY, Noam. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/02jklTHj\">Novos horizontes no estudo da linguagem e da mente<\/a>. S\u00e3o Paulo: Editora UNESP, 1998.<br>LYONS, John.<a href=\"https:\/\/a.co\/d\/0j9xp0mk\">Linguagem e lingu\u00edstica: uma introdu\u00e7\u00e3o<\/a>. Rio de Janeiro: LTC, 1981.<br>OpenAI, ChatGPT para Rita Cruz, Output, 17 de fevereiro de 2026.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Noam Chomsky concebe a linguagem como uma capacidade mental inata, pr\u00f3pria da esp\u00e9cie humana, profundamente enraizada na estrutura biol\u00f3gica e cognitiva do c\u00e9rebro. Para ele, a linguagem n\u00e3o \u00e9 primordialmente um produto da cultura ou da intera\u00e7\u00e3o social, mas uma faculdade natural do ser humano, que se desenvolve a partir de disposi\u00e7\u00f5es internas j\u00e1 presentes desde o nascimento. 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Com isso, Chomsky desloca o centro explicativo da linguagem da sociedade para o sujeito cognoscente: a linguagem deixa de ser entendida como uma constru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica coletiva e passa a ser compreendida como uma propriedade biol\u00f3gica da esp\u00e9cie humana. Sua teoria funda uma lingu\u00edstica de base cognitiva, racionalista e naturalista, na qual estudar a linguagem \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, estudar a pr\u00f3pria estrutura da mente humana (Chomsky, 1998; Lyons, 1981). Para saber mais:CHOMSKY, Noam. Lingu\u00edstica cartesiana: um cap\u00edtulo da hist\u00f3ria do pensamento racionalista. Petr\u00f3polis: Vozes, 1971.CHOMSKY, Noam. Novos horizontes no estudo da linguagem e da mente. S\u00e3o Paulo: Editora UNESP, 1998.LYONS, John.Linguagem e lingu\u00edstica: uma introdu\u00e7\u00e3o. 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