{"id":1656,"date":"2026-04-07T10:19:59","date_gmt":"2026-04-07T13:19:59","guid":{"rendered":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1656"},"modified":"2026-04-07T10:19:59","modified_gmt":"2026-04-07T13:19:59","slug":"subvertendo-a-adolescencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1656","title":{"rendered":"Subvertendo o conceito de adolesc\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p>Cec\u00edlia Coimbra, Fernanda Bocco e Maria Livia do Nascimento, no artigo chamado \u201cSubvertendo o conceito de adolesc\u00eancia\u201d, publicado nos Arquivos Brasileiros de Psicologia (vol. 57, n. 1, Rio de Janeiro, jun. 2005), discutem criticamente o conceito de adolesc\u00eancia como algo natural, universal e homog\u00eaneo, mostrando que ele \u00e9, na verdade, uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e social. Os autores analisam como, na sociedade contempor\u00e2nea de controle globalizado, o termo adolesc\u00eancia passou a funcionar muitas vezes como instrumento de homogeneiza\u00e7\u00e3o e padroniza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas sociais e maneiras de viver, refor\u00e7ando estere\u00f3tipos e modelos hegem\u00f4nicos sobre jovens e seus comportamentos.<br><br>As autoras argumentam que o termo \u201cadolesc\u00eancia\u201d, tal como \u00e9 usado hoje, cumpre uma fun\u00e7\u00e3o social de homogeneiza\u00e7\u00e3o e padroniza\u00e7\u00e3o dos modos de ser, existir e viver dos jovens, sendo reproduzido por discursos cient\u00edficos, jur\u00eddicos, midi\u00e1ticos e sociais que tratam esse per\u00edodo como algo fixo e normativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Elas destacam que a psicologia tradicional e outras \u00e1reas das ci\u00eancias humanas muitas vezes refor\u00e7am um modelo desenvolvimentista inspirado na ideia de que existe um curso de vida com etapas predefinidas e caracter\u00edsticas universais. Dentro dessa l\u00f3gica, a adolesc\u00eancia passa a ser vista como uma fase marcada por \u201ccrises\u201d, \u201cinstabilidades\u201d e \u201catributos psicol\u00f3gicos espec\u00edficos\u201d, transformando-se quase em uma identidade a ser alcan\u00e7ada ou superada.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo incorpora tamb\u00e9m cr\u00edticas de intelectuais como Margaret Mead, mostrando que em muitas culturas e per\u00edodos hist\u00f3ricos n\u00e3o existe essa fase da vida como a concebemos no Ocidente moderno, ou ela \u00e9 vivida de outras formas, menos conflituosas e rigidamente definidas.<\/p>\n\n\n\n<p>As autoras afirmam que essa naturaliza\u00e7\u00e3o da adolesc\u00eancia pode servir a interesses sociais e econ\u00f4micos, como a cria\u00e7\u00e3o de mercados espec\u00edficos, o refor\u00e7o de estere\u00f3tipos e a patologiza\u00e7\u00e3o de comportamentos considerados \u201ct\u00edpicos\u201d dessa idade. Al\u00e9m disso, essa vis\u00e3o tende a reduzir a complexidade das experi\u00eancias juvenis, negando as diferen\u00e7as culturais, sociais e individuais que atravessam a vida dos sujeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, elas passam a sugerir a no\u00e7\u00e3o de \u201cjuventude\u201d como um termo que pode ser mais flex\u00edvel e aberto \u00e0s multiplicidades de experi\u00eancia e menos preso a uma ideia r\u00edgida de desenvolvimento padronizado, ainda que reconhe\u00e7am que \u201cjuventude\u201d tamb\u00e9m \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, o artigo prop\u00f5e que o conceito de adolesc\u00eancia seja visto como constru\u00e7\u00e3o social e hist\u00f3rica, questionando suas bases universalistas e normativas. Ele aponta que esse conceito foi institu\u00eddo por pr\u00e1ticas sociais, cient\u00edficas e culturais que tendem a padronizar experi\u00eancias complexas e diversas, e oferece a ideia de juventude como alternativa para pensar a singularidade dos processos de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Para saber mais<\/strong><br>COIMBRA, C.; BOCCO, F.; NASCIMENTO, M. L. do. Subvertendo o conceito de adolesc\u00eancia. Arq. bras. psicol. Rio de Janeiro, v. 57, n. 1, p. 2-11, jun. 2005. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/goo.gl\/z1SGsi\">https:\/\/goo.gl\/z1SGsi<\/a>. Acesso em: 11 fevereiro 2026.<br>OpenAI, ChatGPT para Rita Cruz, Output, 17 de fevereiro de 2026.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cec\u00edlia Coimbra, Fernanda Bocco e Maria Livia do Nascimento, no artigo chamado \u201cSubvertendo o conceito de adolesc\u00eancia\u201d, publicado nos Arquivos Brasileiros de Psicologia (vol. 57, n. 1, Rio de Janeiro, jun. 2005), discutem criticamente o conceito de adolesc\u00eancia como algo natural, universal e homog\u00eaneo, mostrando que ele \u00e9, na verdade, uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e social. Os autores analisam como, na sociedade contempor\u00e2nea de controle globalizado, o termo adolesc\u00eancia passou a funcionar muitas vezes como instrumento de homogeneiza\u00e7\u00e3o e padroniza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas sociais e maneiras de viver, refor\u00e7ando estere\u00f3tipos e modelos hegem\u00f4nicos sobre jovens e seus comportamentos. As autoras argumentam que o termo \u201cadolesc\u00eancia\u201d, tal como \u00e9 usado hoje, cumpre uma fun\u00e7\u00e3o social de homogeneiza\u00e7\u00e3o e padroniza\u00e7\u00e3o dos modos de ser, existir e viver dos jovens, sendo reproduzido por discursos cient\u00edficos, jur\u00eddicos, midi\u00e1ticos e sociais que tratam esse per\u00edodo como algo fixo e normativo. Elas destacam que a psicologia tradicional e outras \u00e1reas das ci\u00eancias humanas muitas vezes refor\u00e7am um modelo desenvolvimentista inspirado na ideia de que existe um curso de vida com etapas predefinidas e caracter\u00edsticas universais. Dentro dessa l\u00f3gica, a adolesc\u00eancia passa a ser vista como uma fase marcada por \u201ccrises\u201d, \u201cinstabilidades\u201d e \u201catributos psicol\u00f3gicos espec\u00edficos\u201d, transformando-se quase em uma identidade a ser alcan\u00e7ada ou superada. O artigo incorpora tamb\u00e9m cr\u00edticas de intelectuais como Margaret Mead, mostrando que em muitas culturas e per\u00edodos hist\u00f3ricos n\u00e3o existe essa fase da vida como a concebemos no Ocidente moderno, ou ela \u00e9 vivida de outras formas, menos conflituosas e rigidamente definidas. As autoras afirmam que essa naturaliza\u00e7\u00e3o da adolesc\u00eancia pode servir a interesses sociais e econ\u00f4micos, como a cria\u00e7\u00e3o de mercados espec\u00edficos, o refor\u00e7o de estere\u00f3tipos e a patologiza\u00e7\u00e3o de comportamentos considerados \u201ct\u00edpicos\u201d dessa idade. Al\u00e9m disso, essa vis\u00e3o tende a reduzir a complexidade das experi\u00eancias juvenis, negando as diferen\u00e7as culturais, sociais e individuais que atravessam a vida dos sujeitos. Por isso, elas passam a sugerir a no\u00e7\u00e3o de \u201cjuventude\u201d como um termo que pode ser mais flex\u00edvel e aberto \u00e0s multiplicidades de experi\u00eancia e menos preso a uma ideia r\u00edgida de desenvolvimento padronizado, ainda que reconhe\u00e7am que \u201cjuventude\u201d tamb\u00e9m \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social. Em resumo, o artigo prop\u00f5e que o conceito de adolesc\u00eancia seja visto como constru\u00e7\u00e3o social e hist\u00f3rica, questionando suas bases universalistas e normativas. Ele aponta que esse conceito foi institu\u00eddo por pr\u00e1ticas sociais, cient\u00edficas e culturais que tendem a padronizar experi\u00eancias complexas e diversas, e oferece a ideia de juventude como alternativa para pensar a singularidade dos processos de vida. Para saber maisCOIMBRA, C.; BOCCO, F.; NASCIMENTO, M. L. do. Subvertendo o conceito de adolesc\u00eancia. Arq. bras. psicol. Rio de Janeiro, v. 57, n. 1, p. 2-11, jun. 2005. Dispon\u00edvel em: https:\/\/goo.gl\/z1SGsi. Acesso em: 11 fevereiro 2026.OpenAI, ChatGPT para Rita Cruz, Output, 17 de fevereiro de 2026.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[249],"class_list":["post-1656","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-psicologia","tag-adolescencia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1656","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1656"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1656\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1726,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1656\/revisions\/1726"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1656"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1656"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1656"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}