{"id":1654,"date":"2026-04-07T10:17:52","date_gmt":"2026-04-07T13:17:52","guid":{"rendered":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1654"},"modified":"2026-04-07T10:18:38","modified_gmt":"2026-04-07T13:18:38","slug":"como-pensava-margaret-mead","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=1654","title":{"rendered":"Como pensava Margaret Mead?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Margaret Mead pensava o <strong>desenvolvimento humano<\/strong>, a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia a partir de uma <strong>perspectiva antropol\u00f3gica<\/strong>, culturalista e relativista, rompendo com a ideia de que os comportamentos, os conflitos ps\u00edquicos e as crises do desenvolvimento fossem universais e biologicamente determinados. Para ela, as formas de sentir, pensar, desejar e se tornar adulto s\u00e3o profundamente moldadas pela cultura, pelos sistemas simb\u00f3licos e pelas organiza\u00e7\u00f5es sociais de cada sociedade, o que significa que n\u00e3o existe uma adolesc\u00eancia \u00fanica e natural, mas m\u00faltiplas formas de vivenciar essa etapa da vida, dependendo do contexto cultural (Mead, 1928; 1935).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em sua obra mais conhecida, <em>Coming of Age in Samoa<\/em> (1928), Mead mostrou que, em sociedades samoanas, a passagem da inf\u00e2ncia para a vida adulta ocorria de maneira mais cont\u00ednua, menos conflituosa e menos marcada por crises do que nas sociedades ocidentais modernas. Isso a levou a <strong>criticar diretamente concep\u00e7\u00f5es biologicistas<\/strong>, como a de G. Stanley Hall, que entendiam a adolesc\u00eancia como um per\u00edodo universal de \u201ctempestade e tens\u00e3o\u201d (storm and stress). Para Mead, o sofrimento adolescente n\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel nem natural, mas socialmente produzido por estruturas culturais r\u00edgidas, repressivas ou contradit\u00f3rias (Mead, 1928; Papalia; Feldman, 2013).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, sua perspectiva afirma que os processos de desenvolvimento s\u00e3o historicamente situados e culturalmente organizados, e que identidade, g\u00eanero, sexualidade, moralidade e subjetividade s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es sociais, n\u00e3o express\u00f5es diretas da biologia. Margaret Mead inaugura, desse modo, uma compreens\u00e3o do humano como ser simb\u00f3lico e cultural, no qual o desenvolvimento \u00e9 insepar\u00e1vel das formas de organiza\u00e7\u00e3o social, das pr\u00e1ticas educativas e dos sistemas de valores de cada cultura (Mead, 1935; Geertz, 1989).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais:<\/strong><br>MEAD, Margaret. <a href=\"https:\/\/www.gutenberg.org\/ebooks\/74750\">Coming of age in Samoa: a psychological study of primitive youth for Western civilisation<\/a>. New York: William Morrow, 1928.<br>MEAD, Margaret. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/07k3PCYf\">Sex and temperament in three primitive societies<\/a>. New York: William Morrow, 1935.<br>GEERTZ, Clifford. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/0icLlkIQ\">A interpreta\u00e7\u00e3o das culturas<\/a>. Rio de Janeiro: LTC, 1989.<br>PAPALIA, Diane E.; FELDMAN, Ruth D. <a href=\"https:\/\/a.co\/d\/0dbGobkj\">Desenvolvimento humano<\/a>. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.<br>OpenAI, ChatGPT para Rita Cruz, Output, 17 de fevereiro de 2026.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Margaret Mead pensava o desenvolvimento humano, a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia a partir de uma perspectiva antropol\u00f3gica, culturalista e relativista, rompendo com a ideia de que os comportamentos, os conflitos ps\u00edquicos e as crises do desenvolvimento fossem universais e biologicamente determinados. Para ela, as formas de sentir, pensar, desejar e se tornar adulto s\u00e3o profundamente moldadas pela cultura, pelos sistemas simb\u00f3licos e pelas organiza\u00e7\u00f5es sociais de cada sociedade, o que significa que n\u00e3o existe uma adolesc\u00eancia \u00fanica e natural, mas m\u00faltiplas formas de vivenciar essa etapa da vida, dependendo do contexto cultural (Mead, 1928; 1935). Em sua obra mais conhecida, Coming of Age in Samoa (1928), Mead mostrou que, em sociedades samoanas, a passagem da inf\u00e2ncia para a vida adulta ocorria de maneira mais cont\u00ednua, menos conflituosa e menos marcada por crises do que nas sociedades ocidentais modernas. Isso a levou a criticar diretamente concep\u00e7\u00f5es biologicistas, como a de G. Stanley Hall, que entendiam a adolesc\u00eancia como um per\u00edodo universal de \u201ctempestade e tens\u00e3o\u201d (storm and stress). Para Mead, o sofrimento adolescente n\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel nem natural, mas socialmente produzido por estruturas culturais r\u00edgidas, repressivas ou contradit\u00f3rias (Mead, 1928; Papalia; Feldman, 2013). Assim, sua perspectiva afirma que os processos de desenvolvimento s\u00e3o historicamente situados e culturalmente organizados, e que identidade, g\u00eanero, sexualidade, moralidade e subjetividade s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es sociais, n\u00e3o express\u00f5es diretas da biologia. Margaret Mead inaugura, desse modo, uma compreens\u00e3o do humano como ser simb\u00f3lico e cultural, no qual o desenvolvimento \u00e9 insepar\u00e1vel das formas de organiza\u00e7\u00e3o social, das pr\u00e1ticas educativas e dos sistemas de valores de cada cultura (Mead, 1935; Geertz, 1989). Para saber mais:MEAD, Margaret. Coming of age in Samoa: a psychological study of primitive youth for Western civilisation. New York: William Morrow, 1928.MEAD, Margaret. Sex and temperament in three primitive societies. New York: William Morrow, 1935.GEERTZ, Clifford. A interpreta\u00e7\u00e3o das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989.PAPALIA, Diane E.; FELDMAN, Ruth D. Desenvolvimento humano. 12. ed. 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